É na surdina, quando a maioria da Vila Industrial goza o repouso sagrado, que entram em ação aqueles que insistem em se "desfazer do lixo" em lugar proibido. A bronca da vez é na rua Alfred Nobel e os moradores querem dar um basta na situação. O técnico em eletrônica Gilmar Alves dos Santos, 53 anos, que o diga. Sua casa atualmente tem vista para um emaranhado de lixo, que inclui televisões de tubo, colchões, carteiras e cadeiras escolares, restos de armários, roupas, sapatos e sobra de material para construção. A paisagem indigesta incomoda. "Eu ainda fico receoso porque como sou técnico podem pensar que sou, mas não trabalho como esse tipo de equipamento". Santos recorda ainda que em recente madrugada uma moradora ouviu barulhos e viu quando uma mulher despejava lixo." A gente se preocupa porque é muita tranqueira. Falta consciência e junta água parada, bicho e mau cheiro", alerta. "Sem contar que esse terreno aberto é um abrigo e tanto para a malandragem".
A auxiliar administrativa Daisy Cristina de Oliveira Silva, 20 anos, concorda com o morador da via. "Eu mesma nem passo quando escurece. Vou pela Arthur Thomas. Considero esse tipo de comportamento totalmente inadequado. As pessoas deveriam usar os pontos específicos ou contratar caçambas. Elas se acomodam", pensa. E incomodam. A aposentada Marta André Santana, 61 anos, mora no bairro há 20 anos e está cansada da rotina. "É revoltante. Por mais que limpem, não dura uma semana e já começa a sujeira de novo. Tem gente de fora e tem gente do bairro. Se tem lugar pra isso, cada um tem que cuidar do seu lixo", reclama.
Isaías e Kaique, pai e filho, dão exemplo de organização e limpeza no bairro
Bons exemplos não faltam pela Vila Industrial
Após o almoço, pai e filho dão um trato na calçada da casa localizada na rua Alessandro Volta, altura do número 449, e assim são flagrados pela reportagem do NOSSODIA. Fãs do asseio, o vendedor autônomo Isaias da Silva, 58 anos e o estudante Kaique da Silva, 13, não escondem o orgulho de deixar a casa, o jardim e a fachada de dar gosto. "Já cortamos a grama, daqui a pouco vamos lavar as calçadas e se quiser pode entrar lá em casa. Minha esposa está lá e tudo é limpinho, limpinho". Morador do bairro há 30 anos, defende a ala dos limpinhos e alegra-se diante da Praça dos Expedicionários, bem de frente para sua casa. "A maioria é cuidadosa. É uma questão de higiene e a os relaxados são minoria. As pessoas tem que reclamar mesmo porque aqui é um lugar excelente para se viver. Com escolas, farmácia, mercado, essa linda praça e os mal educados precisam se tocar que lugar de lixo é no lixo", dá o recado. (W.V.)
Para quem se julga esperto por jogar lixo no terreno alheio e ainda provoca danos à vizinhança, fica o aviso da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU): "Se flagrado, quem está causando a sujeira pode ser multado", explica a assessoria de imprensa. "Podemos ainda ir ao local buscar evidências que permitam identificar o infrator." A assessoria destacou ainda que situações de descarte que sejam enquadradas como crime ambiental podem gerar multa, que chegam a R$ 3 milhões. Sobre a limpeza ao longo da calçada do terreno, a CMTU, esclarece: "Neste caso cabe uma notificação ao proprietário, uma vez que cabe a ele a obrigação de limpeza do terreno e também do passeio. ausência de calçada ou passeio danificado, situação presente no entorno do terreno em questão, são questões fiscalizadas pela Secretaria de Obras.". A população pode auxiliar denunciando descartes irregulares ligando para o telefone do Serviço de Atendimento da CMTU: 3379-7946 (de segunda à sexta-feira das 8h às 17h) ou enviar sua denúncia com fotos do infrator e da placa do veículo para [email protected] ou [email protected]. Londrina conta com dois Pontos de Entrega Voluntária (PEVs): um na rua Capitão João Busse, no Conjunto Nova Conquista, na zona leste, e outro na rua Helmuth Fischer, no Vista Bela, na zona norte. Os PEVs ficam abertos, com porteiros e fiscais, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h e aos sábados, das 8h às 12 horas.