Fobia, trauma, desarranjo mental... A comunidade se pergunta: o que estimula a vizinha a guardar tantos objetos no interior da própria casa? Mas não encontra uma resposta. Segundo a população, o espaço possui focos de dengue e o mau cheiro é insuportável. Realidade vivida pelos moradores da rua Horácio de Oliveira, Residencial Alto da Boa Vista, na zona norte de Londrina. Onde uma moradora, há pelo menos cinco anos, acumula compulsivamente todo o tipo de resíduos, realidade que atormenta o bairro.
No endereço há pedaços de móveis, velhas peças de roupas, calçados, objetos recicláveis, além de resíduos orgânicos, verduras, frutas e outros tipos de alimentos. Situação que atrai mosquitos, outros insetos e animais. A quantidade de lixo impressiona quem passa próximo ao local. Além do quintal completamente tomado, parte do interior da residência também abriga os objetos. Boa parte dos resíduos também se acumula no lado de fora, por cima da calçada.
"O mau cheiro é muito forte que sai desse lugar, que é insalubre e perigoso demais. Não sabemos o certo o que tem neste terreno, mas pode ter lixos tóxicos e hospitalares", desabafou uma vizinha, que pediu para não ter o nome divulgado, para evitar qualquer conflito com a moradora. "Ela sai durante a manhã, retorna com sacos de lixo, já no período da tarde, e descarta tudo dentro da própria casa. Acreditamos que ela tem algum problema emocional, pois não encontramos uma resposta para o seu comportamento", conclui a moradora.
A acumulação compulsiva pode ser realmente um transtorno emocional. Neste caso, a proprietária do terreno recolhe objetos aparentemente de pouca ou nenhuma utilidade, muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas.

O lixo também toma conta da calçada
‘Peguei dengue daí’
Além do mau cheiro, outra reclamação é sobre o risco que o espaço leva para a vizinhança. Há recipientes que podem acumular água parada e servirem como criadouro para o mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, a febre chikungunya e o zika vírus. O aposentado Donizete da Silva, que mora ao lado do terreno, afirma que ele e a netinha de 10 anos de idades foram diagnosticados com dengue no início do ano.
"Peguei dengue daí, desse lugar cheio de lixo. Tem vidro e embalagem com água parada, aí o mosquito da dengue se reproduz com facilidade", afirmou Silva. "Eu e minha neta, de apenas 10 anos, sofremos muito após pegarmos dengue, com dores na cabeça e em todo o corpo. A Prefeitura precisa tomar uma atitude. Além da dengue, imagina se esse lixo todo pegar fogo um dia?", alertou o vizinho. (P.M.)
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Alvo das reclamações, a dona de casa Célia Ribeiro Prado, 58 anos, proprietária e moradora do imóvel, justifica que coleta materiais recicláveis para vender. Sobre os alimentos, roupas e calçados, argumenta que os recolhe para doar. "Pego para doar às famílias pobres, que moram em Abatiá (norte do Paraná). Conheço pessoas que moram lá e tento ajudar. Mas as latinhas de alumino, o papelão e o plástico eu pego para vender", explica a dona Célia, que vive sozinha no endereço. "Sozinha não! Com meus cachorros. Moro aqui há 28 anos", reforçou ela.
Célia revela que pretende ceder aos pedidos dos vizinhos e que irá limpar a área nas próximas semanas. "Eu também já estou de ‘saco cheio’ desses materiais. Vou contratar um carroceiro para levar tudo embora. Pelo menos os vizinhos vão parar de reclamar", conclui dona Célia. (P.M.)
A reportagem entrou em contato com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). A companhia explicou que deve avaliar a situação e adiantou que somente poderá intervir se os resíduos estiverem fora do espaço privado. Em relação aos objetos sobre a calçada, a CMTU destacou que nenhum obstáculo pode obstruir a passagem de pedestres, conforme o Código Municipal de Posturas, e por isso poderá notificar o (a) responsável.
O caso foi encaminhado também para a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (setor de Endemias). De acordo com ela, a secretaria só irá se pronunciar após agentes irem até a rua Horácio de Oliveira, avaliar a gravidade do problema. Além disso, afirmou que encaminharia uma resposta por e-mail ao NOSSODIA nos próximos três dias. (P.M.)