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Liberdade celebrada sob chuva

08 set 2014 às 08:16

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Alguns historiadores cravam que eram quatro horas da tarde de um ensolarado 7 de setembro de 1822 quando o príncipe regente Dom Pedro desembainhou sua espada e, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, bradou, retumbante: "Brasileiros, de hoje em diante nosso lema será: Independência ou Morte". 192 anos depois, foi sob uma chuva fina da manhã de domingo que os londrinenses foram mais uma vez à avenida Leste-Oeste celebrar o Dia da Independência no desfile anual organizado pela Prefeitura com as forças de segurança da cidade.
Mal ouviu os primeiros acordes da banda anunciando a entrada do Tiro de Guerra, a pequena Nicole, 6 anos, já marchava solenemente. "Ela adora ver os desfiles", disse a diarista Josélia da Silva Barbosa, tia da menina, que também levou a neta, Raíssa, de três anos, e outra sobrinha, Yasmin, de cinco. Saíram lá do Saltinho (Zona Sul) para prestigiar outro sobrinho dela, que desfilaria entre os bombeiros mirins.
Além das forças de segurança (polícias Militar e Civil e Guarda Municipal), o desfile teve a apresentação de mais de 20 entidades civis, sociais, esportivas e assistenciais e 14 escolas e centros municipais de educação. Os alunos da rede municipal fizeram um desfile temático sobre os 80 anos de Londrina. (Diego Prazeres/Folha de Londrina)

Data é coisa séria
Guarda-chuva nas mãos, o casal de aposentados João Gizutu e Hiroko Gizutu prestava atenção em tudo. São cinquenta anos de Londrina. O 7 de Setembro é coisa séria para eles. "Gosto muito de ver os alunos desfilando. Na minha época, era obrigatório desfilar no Dia da Independência. Acho que o poder público deveria forçar os alunos das escolas municipais e estaduais a desfilarem sempre. Vimos todo ano e se tivesse uma vez por mês, viríamos também", garantiu João.
Já o advogado Vinicius Fernandes assistiu ao desfile pela primeira vez e levou a filha, Catarina, de cinco anos, que se encantou com as meninas do balé. "Ela acordou querendo vir e no caminho eu vim conversando com ela sobre a importância dessa data. Foi um ato de liberdade para o País. Quem tem filho em idade escolar é estimulado a refletir e pensar mais nessas coisas", avaliou.
Para quem desfilou, a satisfação veio com os aplausos do público. "A base da saúde pública é o nosso serviço, porque direcionamos os feridos para os hospitais. O desfile é uma forma de mostrar nosso trabalho, que é difícil, mas gratificante porque ajudamos as pessoas", disse o condutor socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Alessandro Leal. (D.P.)

Grito dos excluídos
Assim que o desfile do Sete de Setembro terminou, por volta das 11 horas, o Grito dos Excluídos soltou a voz em Londrina. O ato, organizado em todo o País pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), levantou nessa 20ª edição a bandeira do fim da corrupção em defesa da reforma política, com a elaboração de uma constituinte específica que discuta a transparência no financiamento de campanhas e a redução no número de partidos. A adesão na cidade, porém, não foi a esperada. O grupo partiu da rotatória das avenidas Leste-Oeste com a Rio Branco em direção ao Terminal Central. De acordo com a coordenadora da Cáritas da Arquidiocese de Londrina, Márcia Ponce, o fato do feriado da Independência ter caído num domingo pode ter contribuído para a menor mobilização do manifestos. (D.P.)
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