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Lembranças da guerra

01 set 2014 às 08:36

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A 70 anos atrás, os "pracinhas" da Força Expedicionária Brasileira (FEB) chegavam aos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial na Europa. Muitos morreram lutando e os que retornaram para casa garantem nunca ter esquecido nenhum lance desta história. José Soares Neto, 92 anos, foi um deles. Morando em Londrina há mais de 60 anos, o ex-combatente conta que ele e seus companheiros que serviam o Exército em São Paulo foram colocados num caminhão sem qualquer informação. "Pedi para uma tia dizer aos meus pais que eu estava indo para uma excursão e que ficaria fora uns meses. Depois, já na Itália, mandei uma carta explicando tudo." A proximidade da morte foi um grande pesadelo, mas não o pior deles. "O que eu mais temia era cair na mão dos alemães, de ser prisioneiro deles, porque os nazistas faziam barbaridades mesmo. Carregava uma pistola com um pente de balas na agulha e outro no bolso. Se eu fosse pego, me matava", admite o motorista aposentado.
Logo em um dos primeiros combates, enquanto conversava com um amigo, um tiro lhe atingiu o ouvido esquerdo, fazendo-o perder a audição. Em outras ocasiões, por pouco não foi atingido mortalmente. Com o fim da guerra, em 1945, voltou para o Brasil. No olhar, ele ainda carrega o peso daqueles dias. "Tinha um amigo, Polaquinho, que morreu ao meu lado. Dali em diante passei a encarar a guerra de forma diferente. Tinha dia que a gente chorava sozinho, sem saber se íamos voltar para casa." (Silvana Leão/Folha de Londrina)
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