Ao menos 10 jardineiros estão sem trabalhar no Conjunto João Turquino, extremo Oeste de Londrina. Segundo eles, isso acontece há cerca de quatro meses. Os trabalhadores reclamam que, após cortarem árvores e gramados, são impedidos de fazer o descarte no bairro porque não há espaços para receber os resíduos. Com isso, não têm como atender os pedidos de serviço.
"Tem gente que deixa o lixo na beira da estrada. Mas não quero fazer isso porque não acho certo e tenho medo da fiscalização. Já pensou que vergonha?!", disse João Pedro Ferreira, 71 anos. "Mesmo recebendo a aposentadoria de pouco mais de R$ 700, eu dependo da jardinagem para sustentar minha família (mulher e dois filhos)", reforçou o jardineiro, muito conhecido no João Turquino. Sem ter onde descartar os resíduos que sobram das podas, ele disse que não tem como atender os clientes. "Antes, a gente jogava no Ecoponto do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), mas com o fechamento, não temos o que fazer. Se a gente inventar de ir até os ecopontos em atividade hoje, (Jardim Primavera, na Zona Norte; Jardim Santa Rita, entre regiões Oeste e Norte; e Jardim Nova Conquista, Leste), o que recebemos pelo serviço não paga nem a gasolina, já que usamos nossos carros para fazer o transporte", justificou.
A situação já está fazendo com que algumas pessoas joguem os resíduos em terrenos baldios em um fundo de vale localizado na Rua Lenita César. "Todo dia vem gente com carro, carroça ou a pé jogar entulho, animal morto e galhos aqui. Tudo quanto é tipo de lixo é jogado nesse espaço vazio", denunciou o morador Lucas Daniel da Cruz. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
"Tem gente que deixa o lixo na beira da estrada. Mas não quero fazer isso porque não acho certo e tenho medo da fiscalização. Já pensou que vergonha?!", disse João Pedro Ferreira, 71 anos. "Mesmo recebendo a aposentadoria de pouco mais de R$ 700, eu dependo da jardinagem para sustentar minha família (mulher e dois filhos)", reforçou o jardineiro, muito conhecido no João Turquino. Sem ter onde descartar os resíduos que sobram das podas, ele disse que não tem como atender os clientes. "Antes, a gente jogava no Ecoponto do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), mas com o fechamento, não temos o que fazer. Se a gente inventar de ir até os ecopontos em atividade hoje, (Jardim Primavera, na Zona Norte; Jardim Santa Rita, entre regiões Oeste e Norte; e Jardim Nova Conquista, Leste), o que recebemos pelo serviço não paga nem a gasolina, já que usamos nossos carros para fazer o transporte", justificou.
A situação já está fazendo com que algumas pessoas joguem os resíduos em terrenos baldios em um fundo de vale localizado na Rua Lenita César. "Todo dia vem gente com carro, carroça ou a pé jogar entulho, animal morto e galhos aqui. Tudo quanto é tipo de lixo é jogado nesse espaço vazio", denunciou o morador Lucas Daniel da Cruz. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Batendo o desespero
A situação causa preocupação em quem depende da jardinagem. Dona Cícera Soares, que ajudava o marido jardineiro, disse que não tem mais dinheiro nem para comprar medicamentos. "Tenho diabetes e sofri um derrame no começo do ano. Tomo remédios para controlar a doença, mas não temos mais condições para bancar a compra", afirmou. "Antes, a gente acordava de madrugada e chegava em casa de noite para ganhar um dinheirinho. Hoje, nem isso a gente pode fazer", lamentou. Outro jardineiro, Alcir Correia, revelou que está se vira do jeito que dá para sobreviver. "Por enquanto, me ofereço para passar veneno em terrenos e quintais na região. Não ganho muito, mas ajuda a pagar as contas de casa", contou o trabalhador. (P.M.)

Resposta
Procurada, a assessoria da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) enviou a seguinte nota ao NOSSODIA. "Já está comprovado que ecopontos não são a solução para a cidade ou o pequeno gerador. Sem estrutura física ou de fiscalização para receber os descartes feitos pela população, se tornaram lixos, colocando em risco a saúde pública. Por isso, a CMTU não cogita abrir outros. A solução é a implantação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), locais cercados com estrutura para receber os materiais de forma segregada e com fiscalização. O objetivo é viabilizar o reaproveitamento de todo material possível." A expectativa é iniciar o trabalho em setembro. "Desde o final de 2013, a CMTU busca apoio de órgãos e setores para viabilizar a construção, mas não obteve sucesso. Cada PEV deve custar cerca de R$ 100 mil. Eles estão incluídos no Programa Lixo Zero, que prevê a construção de ao menos 20 unidades distribuídas pela cidade. O Programa deverá ser licitado no final de 2014 ou início de 2015", concluiu. (P.M.)