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Já pensou ele no Tubarão? O sobrevivente

13 jul 2015 às 10:25


Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo e Fernandinho; Bernard, Oscar e Hulk; Fred. Esse foi o time que o técnico Luiz Felipe Scolari mandou a campo no fatídico 8 de julho de 2014, no Mineirão, para disputar a semifinal da Copa do Mundo. Após os 7 a 1 para os alemães e o maior vexame do futebol brasileiro, apenas um jogador daquela equipe sobreviveu e mantém a titularidade na Seleção, agora comandada por Dunga. É o meia Fernandinho. Dias após passar por mais um momento de decepção e cobrança, a eliminação da Copa América diante do Paraguai, o londrinense afirma que é hora de rever conceitos e tirar proveito dos erros, cobranças e frustrações para reerguer a Seleção e o futebol brasileiro. Em entrevista ao NOSSODIA, o volante do Manchester City também revela um desejo antigo: defender as cores do Londrina.
A semana não foi fácil para o jogador. Afinal, a data foi lembrada e muito por torcedores, que não pouparam os protagonistas daquela eliminação doída. Fernandinho não escapou e viu pelas redes sociais a ira do torcedor. "Nunca recebi tanta mensagem de carinho", brincou, levando na esportiva os desabafos dos brasileiros nas redes sociais.

Pressão
Ele conta que não vê uma pressão maior sobre seus ombros pelo fato de ter se mantido na equipe nacional. Mas a vê de um modo geral sobre todos que representam a seleção brasileira, tão criticada nos últimos tempos. "A pressão na seleção existe a todo momento. É muito intensa. Desde quando se apresenta pra treinar até o último dia. Independente se sou o único que ficou dos 7 a 1, a pressão é grande para todos os jogadores. O que eu procuro e vou tentar fazer é tirar proveito dessa situação, que não é positiva, é desfavorável, para melhorar o que for preciso e tentar ajudar a Seleção, ajudar os companheiros, para gente atuar de uma maneira diferente", expôs o londrinense.


Pior safra
Alguns comentaristas tacharam a safra atual da seleção brasileira como a pior de todas. "Eu particularmente não fiquei nada feliz com essa afirmação. Acho que cada um tem sua opinião, temos que respeitar. Claro que ficamos muito tristes com isso. Eles foram jogadores e sabem da pressão que existe. O que nos resta agora é trabalhar, tentar sair dessa situação difícil e buscar os resultados positivos já nos próximos jogos que tivermos. Temos uma competição muito importante cujo objetivo é classificar para a Copa e depois buscar o titulo. Não vai ser fácil. O que nos resta é trabalhar para melhorar".


O trabalho de Dunga
"Fiquei muito contente de trabalhar com o Dunga. Me surpreendeu positivamente, pela pessoa que é, muito direto, muito sincero, não tem conversa mole com ele. A forma de trabalhar, de treinamentos, me agradou muito também. Já teve uma passagem vitoriosa pela seleção e espero que possa continuar fazendo um bom trabalho e que possa ser coroado com o titulo mundial", projetou.


O que está errado ?
Para o jogador, o momento do futebol brasileiro em campo reflete o ambiente fora dele, não só do comando do esporte, mas também político do Brasil. "O pais todo está passando por uma momento difícil. Uma série de escândalos no governo e no futebol não foi diferente. O negócio é ter cabeça fria para não tomar nenhuma atitude precipitada, para que os responsáveis possam analisar e ver o que precisa ser feito pra melhorar o futebol brasileiro. Muito se fala em igualar o calendário com o europeu. São várias opções e há pessoas capacitadas para isso. Espero que possam ser coerentes e tomar decisões que melhorem o futebol brasileiro e que ele possa ser amado novamente". Para ele, o planejamento ainda é bastante falho e ultrapassado. "No Brasil, é um pouco mais instável a profissão de treinador. Duas ou três derrotas já tem crise e ele acaba demitido, não tem tempo pra trabalhar. O São Paulo está com treinador estrangeiro, mas que perdeu vários jogadores e os resultados negativos começam a aparecer. Aqui você faz um planejamento e no meio da temporada perde um monte de jogador e atrapalha qualquer trabalho. Os clubes precisavam rever o planejamento. Tem os atrasos de salários. São coisas que não vemos na Europa", pontuou.

De olho no Tubarão
Por mais que esteja longe, Fernandinho não perde os laços com Londrina. E ele revela que sempre que pode, fica de olho ou ouvido ligado no Tubarão. "Acompanho pela internet. Tive a sorte de assistir um jogo do Londrina pela TV no Paranaense. O jogo contra o Guarani (pela Série C) escutei pelo rádio. Procuro acompanhar, pois é o time da cidade, cresci vendo jogar. Ia no estádio, assistia aos jogos. Tenho uma carinho, uma simpatia grande", revelou. Essa simpatia toda leva o camisa 5 da seleção brasileira a ver despontar nele um desejo interessante para o torcedor alviceleste: envergar a camisa 5 do Londrina num futuro próximo. "No futebol tudo é possível. Quando fui pra Europa, fiz uma projeção de ficar dez anos e eles já se completaram. Estou talvez no principal momento da minha carreira. Jogando em um grande clube, servindo à seleção brasileira e em um momento físico muito bom. Acho que consegui atingir o ápice da minha carreira. Talvez a voltar ao brasil, poder jogar no time da muinha cidade, vai ficar pra mais tarde. Quem sabe na série A, daqui três anos? Mas seria bem legal poder jogar na tua cidade, perto da sua família, dos seus amigos, poder compartilhar as experiencia que vivi com os jogadores novos do clube. Quem sabe!", deixou no ar.


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