A vista para o Vale do Rubi, Zona Oeste de Londrina, pesou na decisão da família da Edilene Farias, 53 anos, na hora de escolher uma nova moradia. Diante da vista cheia de verde e do silêncio, a dona de casa mudou-se com os parentes para um sobrado na região. Ela não se arrepende da decisão, mas, assim como outros moradores, reclama da falta de conservação de uma das áreas mais bonitas da cidade.
"Eu sofria de insônia e aqui é uma paz à noite. Faço caminhada toda manhã, é um lugar lindo e até mesmo por isso merecia ser preservado e mais bem cuidado pela Prefeitura", comenta. Ela conta que há alguns dias o marido teve que se programar para limpar a calçada que fica do outro lado da rua. "Eu considero um privilégio ter uma pista de caminhada na frente do meu portão de casa, mas o mato já estava muito alto", acrescenta. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
"Eu sofria de insônia e aqui é uma paz à noite. Faço caminhada toda manhã, é um lugar lindo e até mesmo por isso merecia ser preservado e mais bem cuidado pela Prefeitura", comenta. Ela conta que há alguns dias o marido teve que se programar para limpar a calçada que fica do outro lado da rua. "Eu considero um privilégio ter uma pista de caminhada na frente do meu portão de casa, mas o mato já estava muito alto", acrescenta. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Elogios e broncas
Moradora da mesma rua há onze anos, Rosária de Oliveira, 66 anos, aponta para tudo o que admira no lugar onde vive: "temos pé de abacate, mamão, banana ouro e ingá. De manhã ouço as saracuras, pardais, bem-te-vis e pica-paus. Eu tenho as belezas do sítio e as vantagens da cidade grande. Nos Finados, tem que ver, as orquídeas ficam todas azuis. Para mim aqui é um paraíso, mas em compensação falta cuidado da Prefeitura. Eu e meu marido e muitos vizinhos cuidamos daqui com muito amor, mas a área é grande e precisa de manutenção", observa.
A moradora diz que procura ter com o vale o mesmo cuidado que tinha com o seu quintal, quando era criança e vivia no sítio. "Trabalhava na roça e o quintal era mantido limpinho. Aqui procuro fazer igual. Acredito que logo a Prefeitura vem fazer a poda do que precisa. Também poderia plantar mais árvores porque o temporal destruiu muita coisa", sugere. De noite, segundo a moradora, o local é muito escuro e ninguém se arrisca a usar a pista de caminhada. "Só quando tem evento de corrida, mas aí eles montam uma estrutura e nós ficamos na porta olhando o movimento. É bonito demais de ver", admira-se. (W.V.)
A moradora diz que procura ter com o vale o mesmo cuidado que tinha com o seu quintal, quando era criança e vivia no sítio. "Trabalhava na roça e o quintal era mantido limpinho. Aqui procuro fazer igual. Acredito que logo a Prefeitura vem fazer a poda do que precisa. Também poderia plantar mais árvores porque o temporal destruiu muita coisa", sugere. De noite, segundo a moradora, o local é muito escuro e ninguém se arrisca a usar a pista de caminhada. "Só quando tem evento de corrida, mas aí eles montam uma estrutura e nós ficamos na porta olhando o movimento. É bonito demais de ver", admira-se. (W.V.)
Fazendo a sua parte
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Horácio Cantídio, 60 anos, trabalha como vigia em uma empresa na rua Foz do Iguaçu e mantém o entorno da loja sempre limpo, ainda que não seja sua obrigação. "Se deixar, o mato toma conta de tudo e sabemos que não dá para esperar tudo da Prefeitura. O meu filho mora na Itália e quando eu o visito, vejo que as pessoas assumem a limpeza de suas portas. Quando o Kireeff foi para o Japão ficou elogiando os japoneses, mas aqui nós sempre tivemos esse hábito de deixar tudo limpo", conta. A dona da empresa, Amandine Novelli, 62 anos, está no mesmo endereço há 20 anos e fala que ajudar a manter o vale limpo tornou-se hábito de família. "Meu marido entra direto no Vale e retira tocos enormes de árvores de lá. Se abandonar, começa a ter muito borrachudo", explica. Debaixo de uma sombra, o filho de Amandine colocou um banco: "fica à vontade para quem quiser ficar mais próximo da natureza ou quem está caminhando ou correndo e decide dar uma pausa e sentar". (W.V.)
Pistinha zerada
A pista de skate do Vale do Rubi foi reinaugurada há algumas semanas graças à inciativa dos próprios esportistas. Um dia após a reinauguração, encontramos o estudante João Pedro Carvalho Grade, 16 anos, morador do bairro, usando a pista. "Eu frequento a pista desde pequeno, me mudei uma época e agora voltei para o bairro. Achei ótimo o que foi feito porque já não tinha mais como usar. Era só buraco", afirma. O músico Marcos Carvalho, 42 anos, foi um dos responsáveis pela reforma. "Fomos atrás de vários órgãos, mas sem sucesso. Então cerca de 20 a 30 pessoas se uniu e eu mesmo passei duas semanas das minhas férias batendo massa, cortando mato e pintando", explica. Segundo o músico, a pista em forma de "U" já foi usada por grandes nomes do esporte, como o brasileiro Bob Burnquist. "Por isso representa um monumento histórico e unindo forças conseguimos mudar o cenário", diz. (W.V.)
Resposta
A assessoria de imprensa da CMTU informa que não pode definir um prazo para limpeza do Vale do Rubi, que tem cerca de 71 mil metros quadrados de área. A empresa responsável pelos serviços de capina e roçagem do Lote 2 ( parte sul da cidade), a Tecvia, pediu rescisão do contrato há mais de um mês e nenhuma outra ainda assumiu o serviço. A CMTU pretende convocar a segunda colocada no processo de licitação para assumir o Lote 2. A empresa é a mesma que faz o serviço no Lote 1 (parte norte da cidade). (W.V.)