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Flores do Campo

Invasão - Justiça determina reintegração do Flores do Campo

Vítor Ogawa
Grupo Folha
06 out 2016 às 09:09

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A Justiça Federal em Londrina determinou a reintegração de posse do Residencial Flores do Campo, localizado na Gleba Primavera (zona norte de Londrina), em favor da Caixa Econômica Federal. O residencial foi ocupado por centenas de famílias na última sexta-feira (30 de setembro), mas um interdito proibitório assegurava a proteção da posse do residencial pela Caixa desde a última quinta-feira e impedia judicialmente a invasão. Como houve o descumprimento, a justiça
converteu o interdito proibitório em reintegração de posse. A Polícia Federal, em conjunto com a Caixa Econômica Federal e a Polícia Militar, estuda como realizar essa reintegração de posse.
A assessoria de comunicação da Caixa já havia manifestado que o objetivo da reintegração de posse é garantir o direito das famílias selecionadas pelo poder público, de acordo com as regras do Programa Minha Casa Minha Vida.
A dona de casa Fernanda Cristina Guimarães, 36 anos, uma das pessoas que ocupa o residencial, garante que não sairá. "A gente precisa que eles terminem de construir isso aqui e deem o imóvel para quem realmente precisa. Se a parcela for justa a gente paga", aponta. Questionada sobre a possibilidade de um possível confronto, ela afirmou que "a polícia não pode colocar a mão em ninguém. Isso daqui é para o povo", afirma.
Edileuza Bezerra, de 67, relata que invadiu para tentar garantir uma casa para a filha Ozielita, que tem cinco filhos e está desempregada. "A casa de minha filha que ficava no Jardim Nova Aliança pegou fogo há dois anos. Como ela está desempregada, ela não tem condições de pagar o aluguel."

ZONA SUL
A reportagem foi, na quarta-feira a outro empreendimento do programa federal MCMV, localizado na zona sul. O Residencial Alegro Village está com aproximadamente 50% das obras concluídas, mas diferentemente do Flores do Campo, o trabalho continua. No local havia 30 funcionários trabalhando no local.
Os moradores do Conjunto Jamile Dequech, que fica ao lado do Alegro Village, demonstram certa preocupação que uma invasão se repita na zona sul. "A gente fica preocupada com as crianças porque fica com medo que elas possam sair machucadas", afirmou a dona de casa Cleuza Soares da Silva, de 62. Ela aponta que ao ver as famílias sem estrutura alguma na zona norte, se recordou do tempo que chegou ao Jamile Dequech, há 23 anos, época em que não havia escola e unidade básica de saúde no bairro.
Sua vizinha, a dona de casa Cíntia Pereira da Silva, de 23, afirma que é preciso dar oportunidades para quem não tem casa. Sobre a possibilidade de uma eventual invasão, ela só fica temerosa do tipo de pessoas que podem ficar lá. "Nessas ocupações tem gente boa e tem gente ruim. A gente nunca sabe como vai ficar", aponta.
Assim como o Flores do Campo, o Alegro Village também é um empreendimento destinado a famílias com renda de até 3 salários mínimos. Ao todo são nove blocos de quatro pavimentos, salão de festa, quiosque com churrasqueira e os apartamentos possuem 45,64 m², com dois quartos e uma vaga de estacionamento. A área construída total é de 7,5 mil m².
A diretora técnica da Cohab-LD, Hisae Gunji, explica que a situação do Alegro é bem diferente do Flores do Campo. "No caso do Alegro Village, a área é menor e as edificações são torres, ou seja, é mais fácil de administrar o patrimônio. E no Alegro, a obra não está parada. A construtora está trabalhando no local", explica. Embora essa gestão da obra seja da Caixa e não tenha qualquer responsabilidade da Cohab, a companhia de habitação está trabalhando com um prazo de entrega para dezembro de 2017. "O ritmo da obra está lento porque houve paralisação em função da falta do repasse por um certo período e sempre que há essa retomada da obra, há uma demora para engrenar de novo", analisa. Ela aponta que no caso do residencial da zona sul, não há risco de invasão. (V.O.)


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