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Insegurança - Medo continua no Novo Amparo

23 fev 2017 às 09:27


O medo da violência provocada por suposta guerra entre grupos rivais de traficantes no Conjunto Novo Amparo (zona norte de Londrina) continua assombrando os moradores da região, apesar da retomada da rotina nas instituições que prestam serviço no bairro. Após permanecerem fechados, o Centro de Educação Infantil (CEI) Novo Amparo, a Escola Municipal Elias Kauam e a Unidade Básica de Saúde (UBS) já atendem normalmente desde o fim de janeiro. Polícia Militar e Guarda Municipal continuam circulando pelo bairro com frequência, principalmente nos horários de entrada e saída dos alunos das instituições.
Mesmo assim, adultos e crianças não esquecem o terror provocado pelos conflitos. Funcionários da CMEI relatam que as crianças voltaram a frequentar a instituição normalmente e, há poucos dias, já estão sendo liberadas para brincar no pátio externo do prédio. A preocupação, agora, é acalmar os alunos que continuam assustados com a presença constante da polícia no bairro.
Funcionários relatam que presenciam alunos de menos de três anos gritando "tá molhado" em alusão à senha usada para avisar que tem polícia no bairro. Contam ainda que aumentaram as brincadeiras imitando abordagens de policiais e comentários sobre tiros e violência.
Para tentar acalmar os alunos, a direção solicitou à Guarda Municipal que a patrulha escolar visitasse a creche. Depois que alguns guardas interagiram com as crianças, o clima melhorou. Com medo de novas ondas de violência, porém, os trabalhadores entram e saem na creche todos juntos. Apesar dos cuidados, eles não acreditam que haja novas ocorrências em período de aulas, pois a CEI atende crianças de todo o bairro. "Me sinto mais segura aqui do que em alguns lugares do Centro", disse uma funcionária.
Na escola municipal, o clima é parecido. Durante o período das aulas, quando os guardas estão presentes, todos agem com normalidade. Qualquer movimentação estranha ou mesmo barulho, porém, são capazes de assustar os alunos, conforme relato dos servidores, o que acaba prejudicando o andamento das aulas. Tanto na escola quanto no CMEI, o ano letivo começou com alguns dias de atraso.
Familiares que deixam e buscam os alunos na instituição reclamam quando os guardas não acompanham a movimentação das crianças e duas professoras deixaram a escola motivadas pelo medo. Uma delas conseguiu transferência e a outra, pressionada por familiares, pediu exoneração. Por isso, a escola está sem contraturno em um período.

CARNAVAL
O temor, agora, é em relação ao feriado de carnaval, quando a escola fecha as portas. A Guarda Municipal informou que continuará o patrulhamento no bairro mesmo quando as instituições públicas estiverem fechadas no feriado.
"A polícia ajuda o pessoal que trabalha aqui e vem dos outros bairros, mas para a comunidade não resolve muita coisa", criticou o presidente da Associação de Moradores do Novo Amparo, Felicidade e Santa Luzia, Flávio Alves. Segundo ele, os moradores estão assustados por causa do trauma provocado pelos embates, mas garantiu que a situação está normalizada.
A preocupação dele, agora, é em relação a outras demandas, como ampliação da creche, melhoria da iluminação pública – principalmente nos limites do bairro – e pavimentação. "Já pedimos uma reunião com várias secretarias para levar nossas reivindicações. Também precisamos do apoio da Cohab pois há famílias invadindo terrenos por não terem moradia", lamenta. (C.A.)

SAÚDE
Na UBS, os funcionários não quiseram falar com a reportagem do Grupo FOLHA sobre os conflitos, alegando que não possuem autorização de superiores, mas pacientes que esperavam atendimento relataram que o posto, que chegou a ficar fechado por duas semanas, está funcionando normalmente. Uma diarista que não quis se identificar informou que muitos moradores estão chegando mais tarde ao local por medo da violência. "Não aconteceu mais nada, mas o pessoal continua com medo. Já estou acostumada com o bairro e vivo normalmente. A gente tem que ter fé e tocar o barco", aconselhou ela, que trabalha em diferentes regiões de Londrina e acredita que a violência está em todos os lugares. "Se tivesse trabalho para todo mundo, ninguém teria cabeça para pensar bobagem", disse.
Uma moradora que se mudou do interior de São Paulo para Londrina há apenas três meses afirmou que ficou muito assustada quando chegou ao bairro, mas garante que atualmente a rotina está "normal". "A polícia passa toda hora, para a gente é bom", afirma. (C.A.)


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