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INSEGURANÇA - De perder o sono

Walkiria Vieira
NOSSODIA
12 fev 2017 às 23:31

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Fotos: Saulo Ohara
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Fotos: Saulo Ohara
Fotos: Saulo Ohara

Câmeras de vigilância agora passam a reforçar a segurança da população local

Até mesmo de dia, os cadeados estão no portão. Atrás das grades, as crianças brincam no fundo do quintal, a dona de casa dá conta do serviço e quando alguém toca a campainha, o atendimento é feito de longe, sem ao menos sair de dentro de casa. A onda de furtos e assaltos é o motivo da mudança de comportamento de moradores dos bairros Santa Mônica e Itália, na zona norte.
O comerciante Thomas Yonemura, 33 anos, nasceu no Santa Mônica e sente falta dos tempos em que as famílias tinham liberdade. "As crianças ficavam na rua, jogavam futebol, bets, carrinho de rolimã e hoje isso não é mais possível, infelizmente." Com o estabelecimento comercial de portas fechadas, Yonemura atende com hora marcada para não correr riscos.
Diante da complexidade da situação, o comerciante decidiu aderir a um movimento promovido pela Associação de Moradores do Conjunto Santa Mônica. A entidade está mobilizando a população para uma ajuda mútua tanto na vigilância das casas dos vizinhos, como a instalação de câmeras de segurança, placas informativas de que as ruas são monitoradas e sirenes alertando que um imóvel recebeu uma visita indesejada. Estão tirando dinheiro do próprio bolso para tentar amenizar a insegurança.
"Quanto mais pessoas, menor o custo para cada família. Eu nasci aqui e, embora entenda que a cidade cresceu, temos que tomar uma atitude para barrar tanta violência", analisa Yonemura. O marceneiro Lucas Junior de Oliveira, 34 anos, considera importante toda vigilância e prevenção que puderem ser feitas. "A roubalheira está violenta e agora está todo mundo de olho."

Unidos contra a violência
Casas arrombadas, moradores abordados ao chegar do trabalho em suas casas, uma sucessão de furtos que não poupou nem mesmo a sede da entidade acendeu o alerta da população. De acordo com advogado e presidente da associação de moradores, Jorge Custódio, a situação chegou a um ponto insustentável em que era preciso reverter o quadro. "As pessoas estavam amedrontadas. Eram assaltadas no ponto de ônibus e os furtos eram pela manhã, tarde ou noite."
Custódio relata que desde o início de 2016 o pânico tomou conta da vizinhança. "Por meio da associação, nos reunimos em outubro do ano passado para nos planejarmos. Fizemos passeata, criamos um grupo no WhatsApp e nos tornamos vigilantes permanentes, pois até então as autoridades não estavam dando conta de combater a criminalidade."
Graças à adesão dos moradores, câmeras de vigilância agora passam a reforçar a segurança da população local e a ideia já virou modelo para outros bairros. "Chegamos a um orçamento viável e agora todos os moradores terão acesso às câmeras pelo celular. O projeto já tem interessados nos jardins Santa Rita e Catuaí, devido à problemática que é a falta de segurança e a criminalidade", aponta. (W.V.)

Resposta
Em nota, a Policia Militar informou que sempre buscou novas formas de patrulhamento e integração com a população. "Os referidos bairros possuem um viatura destinada ao patrulhamento ostensivo no local e mais o reforço de equipes de Rotam e Rocam, equipes do serviço de inteligência que coletam informações com o objetivo de otimizar a aplicação do policiamento de maneira mais eficiente", diz a nota, que ainda enaltece a importância da colaboração dos moradores com a iniciativa de instalarem as câmeras.
"A integração da população e da Policia Militar voltada à resolução de problemas, agindo de forma a prevenir e inibir ações de marginais no bairro, pois segurança pública é dever do Estado sim, mas também é responsabilidade de todos e esta iniciativa (instalação de câmeras) coroa de êxito o esforço da comunidade e polícia, facilitando com a ajuda da tecnologia o trabalho preventivo/repressivo da Policia Militar, pois sempre é bem-vinda qualquer ajuda para melhorar a segurança pública", diz o documento. (W.V.)


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