Detentos tentaram fugir da carceragem do Ciac (Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão), antigo 4º Distrito Policial, na madrugada deste domingo (19). A assessoria de imprensa da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária), confirmou a tentativa, mas não deu mais detalhes de como os presos agiram e nem quantos pretendiam se evadir do local.
A ação ocorre menos de 30 dias da fuga de dez presos. Na ocasião, eles serraram o teto da grade de acesso ao pátio e escaparam pelo portão os fundos. A carceragem do 4º DP é destinado aos detentos provisórios e, constantemente é alvo de críticas por causa da superlotação.
Na semana passada, uma reunião entre juiz da VEP (Vara de Execuções Penais), Katsujo Nakadomari, e presidente da subseção Londrina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Eliton Carneiro, e com os representantes das comissões de estabelecimentos prisionais, de advogados criminalistas e de direitos humanos, discutiu a instalação de dez celas modulares, chamadas de "shelters", na Casa de Custódia de Londrina. A medida pode ajudar a desafogar o Ciac.
O Ciac e o 3º Distrito Policial são as duas unidades da Polícia Civil que ainda abrigam presos em carceragens em Londrina. A intenção da Sesp é esvaziar os distritos policiais, transferindo os presos para penitenciárias. No entanto, o processo caminha devagar. Nas cidades do interior, registros de fugas e motins são frequentes por falta de estrutura adequada e superlotação. As penitenciárias também operam com a capacidade limite.
Na última semana, uma rebelião foi registrada na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel). O Depen (Departamento Penitenciário do Paraná) informou que vem investindo recursos para diminuir o contato dos agentes com os presos, além de outras melhorias. No entanto, segundo o órgão, as unidades são grandes e o investimento necessário é gigantesco.
Desde 2014, quando a administração do sistema penitenciário paranaense passou da Seju (Secretaria de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos) para a Sesp (Secretaria de Segurança Pública), cinco grandes rebeliões foram registradas em penitenciárias estaduais. Somadas as quantias destinadas às reformas das unidades prisionais, o prejuízo chega a R$ 5,4 milhões. A cifra não inclui os gastos com a rebelião mais recente, ocorrida na PEC. Com uma estimativa de R$ 2 milhões de prejuízo, o gasto pode atingir R$ 7 milhões em quatro anos.
O histórico de prejuízos em rebeliões começa em outubro de 2014, na própria PEC, que demandou investimentos de R$ 1,9 milhão. No mês seguinte, houve motim na PIG (Penitenciária Industrial de Guarapuava), cuja reforma custou R$ 875 mil, e na Peco (Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste), com reparos de R$ 300 mil. Por fim, em outubro de 2015, a PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina) foi totalmente destruída pelos presos e os prejuízos chegaram aos R$ 2,4 milhões. (Aline Machado Parodi/Grupo Folha).