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INFÂNCIA PERDIDA

Infância perdida - A triste realidade dos índios de Londrina

21 ago 2016 às 23:01

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Walkiria Vieira
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Quando a luz vermelha do semáforo acende, as crianças se arriscam, de carro em carro e repetem "Trocadinho, Trocadinho". Muitos motoristas nem abrem os vidros, ignoram a cena e seguem. Essa é a rotina diária de muitas crianças indígenas em Londrina. Enquanto os adultos ficam na espreita, os pequeninos indiozinhos tentam garantir a comida do dia.
O vendedor autônomo Sebastião Costa, 65 anos, considera que essa não seja a situação ideal. "Morei muito tempo em São Jerônimo da Serra, estou habituado e conviver com os índios, mas tanto aqui Londrina como em Ibiporã, onde moro, é cada vez mais comum vê-los pedindo e, pior, os adultos ficam num canto e colocam as crianças para pedir. Nessa idade, essas crianças deveriam estar se divertindo, brincando e estudando e não ficar na rua, que é o pior lugar, onde não se aprende nada. Eu me preocupo com o futuro dessas crianças e penso que os governantes deveriam intervir e não ficar empurrando eles de uma cidade para outra, como é comum", diz.
O escambo, troca entre mercadorias, é prática desde o século XVI, quando os índios prestavam serviços como carregar troncos e recebiam como pagamento apitos, espelhos, chocalhos. Nos dias atuais, a moeda corrente é o que homem branco oferece em troca dos trabalhos manuais feitos pelos indígenas – como cestos, porta-trecos e fruteiras. E o escambo se esvai. Para o jogador de futebol Michel Pedrozo, 32 anos, a cena não passa despercebida e quando meninos de idades entre três e nove anos o abordam, pergunta a eles onde está a mamãe. De férias no Brasil, Michel vive na Itália, onde atua pelo Sandona di Piave Venezia. "Eu me sensibilizo e não devemos tornar isso banal", afirmou o jogador, que questionou os garotos sobre estudos e diversão e ficou sem resposta.
O chefe de cozinha Rodrigo Pedrozo, 24 anos, fica sem palavras. "É triste e não dá para julgar. Isso envolve um ciclo muito grande e não dá para culpar uma secretaria porque isso também envolve a oportunidade que as famílias tiveram ou não", expõe. "A abordagem não me incomoda, apenas gostaria que vivessem outra realidade e as crianças não fossem submetidas a isso". (Walkiria Vieira/Grupo Folha)

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