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DOR E REVOLTA

INDIGNAÇÃO E TRISTEZA - FAMÍLIAS DESTRUÍDAS PELA IRRESPONSABILIDADE NO TRÂNSITO

(Paulo Monteiro/NOSSODIA)
07 out 2015 às 23:50

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José Dirceu Alievi chora todos os dias a morte da filha e a falta de punição ao atropelador

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"Toda vez que fico sabendo de uma tragédia, me vem a cabeça o acidente que matou a minha filha", ressalta o porteiro José Dirceu Alievi, pai da jornalista Samantha, morta em julho de 2013, após ser atingida violentamente por um carro em Londrina, quando era transportada pelo namorado numa motocicleta. Alievi compartilha da dor que tomou conta da família do vigilante Gílson Trindade, 29 anos, que morreu no domingo, quando conduzia uma moto e foi atingido por um carro na Rua Humaitá. Lembrando que o veículo que causou a colisão ficou com o velocímetro travado em 150 km/h, sendo que o limite da via é 40 km/h.
Trindade era morador de Cambé e estava a caminho do trabalho quando tudo aconteceu. O primo do vigilante, Alexandre Faustino Duarte, conta que Trindade era casado e sua a esposa estava grávida. "A família está toda em estado de choque. Não tem cabeça para pensar em nada. Gílson era casado há sete anos e sua esposa estava grávida de oito meses. É difícil dizer se alguém será responsabilizado pelo que aconteceu. Talvez os pais do menor que dirigia o carro que matou o Gílson, mas é difícil pensar nisso agora", resumiu Duarte.
O porteiro José Dirceu Alievi sabe bem o que é isso. "Uma mistura de sentimentos", salienta. "A vida mudou totalmente. Tem momentos que estou sozinho e me escondo no cantinho para chorar. Antes era revolta, depois veio a sensação de injustiça, indignação e, na sequência, a saudade", admite ele. "Eu e a esposa caímos na depressão. Ela até síndrome do pânico passou a sofrer. Recebemos acompanhamentos psicológico para continuar levando nossas vidas", relata o homem sobre a tristeza de perder a única filha.
Ele também destaca a revolta. Os motivos não faltam. "Em momento algum o causador do acidente ficou preso. Ele continua solto, em total condições de matar novamente. Não levou sequer uma multa da Polícia Rodoviária Federal pelo excesso de velocidade", diz Alievi, tentando segurar a emoção ao relembrar de tudo. "Após o acidente, ele ainda continuou infringindo as leis de trânsito e foi multado em seguida outras duas vezes. Uma delas 13 dias depois de matar minha filha. Antes do acidente, ele já tinha levado outras três multas. Uma delas gravíssima. A impunidade incentiva a violência no trânsito", desabafa o pai.

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‘Influência na decisão do delegado’

Na ocasião, apesar de estar supostamente acima do limite de velocidade da via, além de não ter prestado socorro às vítimas, o causador do acidente foi autuado pelo delegado de trânsito por homicídio culposo. "O caso deveria ter sido tratado, no mínimo, como ‘dolo eventual’. O laudo pericial constatou que no momento do acidente o motorista dirigia a 110 km/h, sendo que o limite da via era 70 km/h. Então ele assumiu o risco de matar, mas mesmo assim foi autuado pelo delegado de trânsito da época por homicídio culposo", recorda-se José Dirceu Alievi. O homicídio culposo prevê pena de detenção de um a três anos.
Após fugir do local do acidente, o motorista do carro se apresentou com o advogado dois dias depois. "Na época, o advogado era enteado do delegado chefe de Londrina. Acredito que isso influenciou na decisão do delegado de trânsito na autuação do motorista. Além disso, no momento em que se apresentou, o motorista entrou escondido e saiu dentro do carro do advogado. Trocaram também o horário da sua apresentação na delegacia para evitar a imprensa", ressalta o porteiro.
O sentimento de injustiça pode ser amenizado no próximo dia 1° de dezembro. "Data marcada para a sentença do processo. Triste coincidência. Neste mesmo dia, inclusive, minha filha comemoraria seus 28 anos de idade", acrescenta o porteiro. (P.M.)



Caso da Humaitá

Coincidência ou não, o caso registrado na Rua Humaitá, no domingo, inicialmente também está sendo tratado como homicídio culposo. "Já que o condutor do carro era um menor de 14 anos, inicialmente pode ser autuado por ato infracional equiparado a homicídio culposo", adiantou o delegado Arnaldo Peron, da Delegacia de Trânsito. "Mas pode ser que seja doloso, pois estaria dirigindo o carro acima do limite de velocidade. Tudo vai depender dos laudos periciais do Instituto de Criminalística, que ainda não tenho em mãos, e das testemunhas que serão ouvidas", explicou Peron na terça-feira.
O delegado afirmou que não sabe por que o menor de idade dirigia o carro. "Não sabemos se os ocupantes do veículo eram amigos. Não acredito em sequestro. Nenhuma arma foi encontrada. Além disso, segundo o relatório dos policiais, era o menor que conduzia o carro. Geralmente, em crime de sequestro relâmpago, o criminoso mantém a vítima sob controle e não assume o volante", explica o delegado. (P.M.)

Rei Santos
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No acidente registrado na Rua Humaitá, domingo, um adolescente de 14 anos passou por cima da moto e do segurança Gilson Trindade, que morreu enquanto ia trabalhar


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