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INCLUSÃO - Doando pernas e disposição

25 mar 2018 às 20:26

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Ricardo Chicarelli
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Ser pernas para quem não pode andar. Na manhã deste domingo (25), mais de 10 pessoas com deficiência puderam participar de corrida inclusiva com o apoio de voluntários dispostos a doar seus passos em um percurso de 4 quilômetros em torno do Lago Igapó. O evento foi promovido pela Unimed Londrina em parceria com a Afel (Associação das Famílias Especiais de Londrina). Além de cadeiras de rodas, os atletas empurraram também a autoestima de quem nem sempre é lembrado.
Débora de Carvalho, 7, tem no pai a sua maior inspiração. Ele já correu profissionalmente e agora incentiva a filha a participar, mesmo que na cadeira de rodas. "Ela já está há 4 anos competindo direto comigo. É para mostrar para o mundo que deficiente não fica só dentro de casa", orgulha-se Luiz de Carvalho, 42. O operador de produção participou da largada oficial na categoria 4 km e a filha na categoria para pessoas com deficiência.
Foram dois motivos para comemorar. Pai e filha competindo, cada um em sua modalidade e Débora completando a prova em primeiro lugar. Isso só foi possível com a ajuda de Telma Paula Santos, 37, voluntária que cedeu as pernas e energia. "Eu fui as pernas de aluguel dela e foi muito emocionante. Eu sou mãe, senti na pele o que eles passam. Eu me emocionei, fiz a prova praticamente chorando", conta a técnica em segurança. A voluntária foi convidada pelo pai de Débora para empurrar a cadeira de rodas. "Foi um sentimento de gratidão ter essa oportunidade de participar", sorri.
Esta é a primeira vez que a Unimed Londrina realiza corrida visando a inclusão de pessoas com deficiência. "A gente fica feliz com a parceria com a Afel. É a primeira corrida inclusiva e pretendemos fazer virar rotina. É prestação de serviço para a cidade", ressalta Sérgio Humberto Parreira, diretor de mercado da operadora. Para ele, as corridas promovem os cuidados com a saúde e funcionam como incentivo para a sociedade.
Incentivo que às vezes vem de filho para pai. Gabriel Estevão, 9, tem paralisia e já participou de outros eventos semelhantes. Já o pai, Roberto Lima Costa, 56, estava pela primeira vez no desafio. "Ele adora, gosta do movimento. Deveria ter sempre, faz bem para a nossa mente e para eles", afirma.
Mãe de uma das crianças inscritas na categoria, Alessandra Fanelli, 42, defende que os familiares precisam apresentar possibilidades de inclusão, inspirando outras a saírem do enclausuramento. "A família fica excluída. É importante para as mães e pais sentirem que podem ficar no meio das pessoas", ressalta.
A filha dela, Isadora Fanelli, 10, tem paralisia cerebral e se locomove com dificuldade, porém sem necessidade de cadeira de rodas. Ela participou da prova ensinando que mesmo com obstáculos é possível interagir, colaborar e ocupar todos os espaços. "É importante que as nossas crianças com deficiência se sintam incluídas. Espero que o evento chame a atenção da sociedade para esta questão", afirma a secretária.
Mais de 10 pessoas com deficiência se inscreveram, a maioria criança. No total, 1,6 mil pessoas participaram, batendo o recorde de registros da operadora. Além da corrida inclusiva, o Corridas Unimed Inspira – 2018 Etapa Day também promoveu corridas de 4 km e 8 km, caminhadas de 2,7 km, corrida kids de 500 m e "cãominhada" de 2,7 km. Outras atividades de lazer e bem-estar também foram oferecidas no local. (Lais Taine/Grupo Folha)


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