A inclusão de pessoas com necessidades especiais, principalmente crianças, nas corridas de rua vem crescendo muito. No último sábado, foi realizada a primeira largada inclusiva de Londrina, durante a prova Londrisoft Nigh Run. Além dos 800 inscritos, estiveram presentes cinco crianças com deficiência e que tiveram ajuda de familiares e voluntários. "São nossas pernas de aluguel", diz a secretária da Afel (Associação Famílias Especiais de Londrina), entidade que dá suporte às famílias com crianças especiais, Alessandra Fanelli, mãe de Isadora, 10 anos. Segundo ela, o objetivo é despertar nos familiares e na sociedade a possibilidade de inclusão de pessoas com deficiência no esporte. "Assim como chamar a atenção de possíveis patrocinadores". Além de Isadora, também cruzaram a linha de chegada Helena, Valentina, Wellington e Debora. "As crianças adoraram. Foi uma experiência emocionante, fantástica até para os corredores tradicionais, que diante dos esforços dos especiais, veem que podem ir além de seus limites. Acreditamos que seja também uma maneira de motivar as pessoas para que façam atividade física, assim como acolher famílias com necessidades especiais e chamar a atenção da sociedade para esta realidade", apontou. O educador físico Richards Moura, organizador da prova, ressaltou a presença das crianças. "Acredito que devemos aprender a nos colocar no lugar do outro. Isso é o que mais dá certo para entendermos o outro lado. Esses pais precisam dar uma atenção gigantesca para os filhos. É difícil encontrar alguém que queira viver essa experiência. Acredito que a inclusão seja uma forma de fazer o bem e a presença das crianças especiais deixou grandes lições aos demais participantes".
Incentivo especial para quem já corre
O operador de produção Luiz Carvalho, 42 anos, sempre foi dado ao esporte, e é considerado um incentivador pelos familiares que decidiram incluir seus filhos nesta primeira corrida inclusiva. Ao lado da filha Débora, de sete anos, Carvalho já roubou a cena ao correr e empurrar o carrinho com filha percorrendo distâncias como 4km, 10km e até uma meia maratona (21km). "Quando ela estava com seis meses descobrimos a paralisia cerebral e entendi que minha filha poderia frequentar todos os lugares e até uma corrida. Debora demonstra entusiamo, observa as pessoas pelas quais passamos e sabemos que essa interação é muito positiva", diz o pai. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)