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Incêndios propositais - Irresponsabilidade é fogo

21 abr 2016 às 10:01


Com calor de rachar mamona e tempo seco que dispensa a palavra de especialista, as queimadas são motivo de reclamações devido ao incômodo que causam. Moradores de Ibiporã, Londrina, Cambé e Arapongas relataram ao NOSSODIA o mal que têm sofrido com as queimadas de lixo orgânico, mato, fios e até pneus.
Muitas vezes, é na calada da noite que a fumaça invade a casa e obrigada a família da atendente Dayane da Silva Rocha a fechar todas as portas e janelas da casa. Moradora do Parque Residencial Manela, em Cambé, Dayane relata que não entende a prática. "O lixeiro passa de três a quatro vezes por semana e as pessoas não pensam. Queimam folha, papel higiênico e recentemente passamos um susto. Botaram fogo em uma data vazia e chegamos a achar que era em uma casa. Minha mãe sofre de rinite, estou com tosse por conta desse calorão e nossa casa fica cheia de fuligem. Ainda tem que correr e recolher roupa é um transtorno", lamenta.
Em Ibiporã, a situação para o padeiro Antonio Marcos Dias Figueiró, 45 anos, é bem parecida. "O povo põe fogo em tudo. Eu que moro afastado do Centro, vejo que ao invés de fazer a roçagem e capina, simplesmente põem fogo. Dias atrás, os vizinhos se juntaram para apagar um. Pegamos mangueira porque estava perigoso pegar fogo nas casas e a gente acaba gastando água, tempo e ainda se arrisca."
De Arapongas, a queixa vem da leitora Roseli Leonardo. "As associações de bairro recebem muitas reclamações. Queimam sujeira em fundo de quintal e esses dias, vindo de Maringá, havia queimada na estrada. E numa época em que trabalhei em uma empresa com muitos terrenos baldios no entorno, queimavam de tudo, até espuma e borracha. É uma falta de responsabilidade e respeito e pode pegar fogo na casa de um inocente, que não tem nada a ver. Por outro lado, entendo quem põe fofo no terreno do lado que tá abandonado porque vem aranha, rato, escorpião", aponta.

‘Queimam de tudo’
Em Londrina, o morador da zona Oeste, Anderson Vitor de Souza, 21 anos, diz que faz a parte dele. Moro sozinho mas jogo o lixo no dia certo e no lugar indicado. Já minha mãe, que mora em Cambé, passa apurado. Mora no Jardim Ecoville e sempre que vou lá presencio a queimada de pneu, galhos e outras coisas e considero que é um desrespeito com o próximo e com a natureza. Crianças e idosos são os que mais sofrem, ainda mais naquela vila, que tem pouca árvore", diz. Moradora do Jardim Jamaica, Tina Alvares conta que cansou de ver datas com fogo alto. "As pessoas acabam fazendo justiça com as próprias mãos", relata a vendedora. "Dia desses vi no Maria Luiza (zona norte). Soube que os vizinhos cansaram porque junta bicho e o colonhão tava tão alto, que era abrigo pra bandido, então se tornou inseguro", acredito.
No Jardim do Sol, zona oeste, o aposentado João Alves, 85 anos, ensina: "Cada um tem que fazer a sua parte. Moro aqui há 40 anos e ainda agora de pouco tava sentindo cheiro de fumaça. Começam sempre no fim da tarde", observa. O tapeceiro Washington Vieira Justi, 49 anos, trabalha no Jardim do Sol e mora no Alto da Boa Vista, zona norte. "No Alto da Boa Vista, ainda tem muito terreno vazio, moro lá há 15 anos e esses dias queimaram tudo beirando o campo. Virou um fumaceiro, uma confusão, sem contar o cheiro ruim e o risco para motoristas", alerta. (W.V.)


Sema investe em campanhas de conscientização
Em atendimento à reportagem do NOSSODIA, o gerente de fiscalização da Sema – Secretaria Municipal do Ambiente, Luiz Campanhã Filho, explica o Código de Posturas Municipal, lei 11468/2011, em seu artigo 183, determina que: "Para preservar de maneira geral a higiene pública fica proibido: IV - queimar, nos terrenos particulares ou públicos, resíduos, detritos ou materiais. A infração pode gerar multa de R$ 200,00 a R$3000,00".
Campanhã informou ainda que a gerência de educação ambiental realiza um trabalho de conscientização ambiental. "Abordamos a questão das queimadas em palestras realizadas nas escolas, na Biblioteca Móvel Ambiental e nos eventos ambientais e com a distribuição de panfleto informativo sobre o assunto.

Serviço:
Denuncie, queimada é crime: (43) 3372-4770 ou 3372-4771, das 12 às 18h ou pelo 153 da Guarda Municipal, que repassa as denúncias à Sema.


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