UEL ficaram sem aulas neste começo de semana e de ano letivo
O ano letivo na UEL (Universidade Estadual de Londrina) deveria ter sido iniciado nesta segunda-feira (19). Mais de 12 mil estudantes de 54 cursos de graduação da UEL eram esperados, sendo 2.482 aprovados no Vestibular 2018 e 603 convocados pelo SISU. No entanto, em boletim enviado aos docentes, estudantes de graduação e servidores técnico-administrativos na noite de sábado (17), a Reitoria da UEL informou a suspensão o início do calendário acadêmico de graduação de 2018.
Segundo o comunicado, o motivo seria o Decreto No. 9.026, de 16 de março de 2018, recebido pela UEL na noite de sexta-feira (18), no qual o Governo do Estado não teria autorizado a carga horária necessária para a contratação de docentes temporários, o que inviabilizaria suprir as demandas da maioria dos departamentos da Universidade.
No mesmo Boletim Informativo, a Reitoria também convoca o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE) para que, em reunião extraordinária marcada para a tarde desta segunda-feira (19), analise e delibere sobre a questão. Uma outra reunião também está marcada em Curitiba nesta terça-feira (20), entre os reitores de todas as universidades públicas paranaenses, para buscar estratégias de negociação. Além da UEL, a Unicentro também suspendeu o calendário letivo e a Unespar (Universidade Estadual do Paraná) aguarda a decisão do seu CEPE para suspensão do calendário a partir do dia 26 de março.
Hoje, o deficit da UEL segundo o comunicado seria de 255 docentes, sendo que 87 aguardam nomeação e 168 vagas aguardam autorização para concurso, desde agosto de 2014. "A solução de todo esse problema seria o chamamento dos docentes aprovados em concursos e também a abertura de novos concursos. Além de docentes, também temos deficit de técnicos administrativos", explica Sueli Edi Rufini, pró-reitora de graduação da UEL.
Segundo ela, esse deficit de docentes permanentes faz com que seja necessária a contratação de docentes, porém, as aulas hora autorizadas são insuficientes para suprir a demanda. Atualmente, seria preciso oito mil horas. Em agosto do ano passado foram autorizadas quatro mil horas e a expectativa era de que nesse ano fossem aprovadas as outras quatro mil horas restantes, porém, foram aprovadas apenas 2.304 horas aula.
"O problema é que do ano passado para cá muitos contratos já terminaram, professores se aposentaram então a necessidade de novos docentes aumentou. Além disso, no segundo semestre vários outros contratos serão encerrados. Desta forma, neste primeiro semestre teríamos a falta de muitos docentes em sala de aula e no segundo semestre a situação seria ainda pior. Esperamos que o CEPE referende a suspensão do calendário para que possamos dar continuidade nas negociações", afirma a pró-reitora.
Segundo a assessoria de comunicação do Governo do Estado, as reitorias das universidades têm autonomia para decidir sobre o início do ano letivo. Afirma também que o Decreto 9.026, de 16 de março de 2018 prevê a liberação de 2.304 horas aula para a UEL, o que possibilitaria o início do ano letivo e não inviabiliza que novas negociações possam ser feitas durante o ano. Ainda segundo a assessoria, ao todo foram liberadas 36 mil horas para as sete universidades estaduais, sendo que cada uma foi contemplada de acordo com o número de professores que têm gratificação e portanto aptos a assumirem as aulas. (E.G.)
Rufini diz que alguns dos concursos já estão próximos de vencer, sem que os candidatos aprovados sejam convocados. Outro ponto do decreto que desagradou os docentes é a carga horária que cada docente deve cumprir em sala de aula. Além das atividades de ensino, eles também atuam em pesquisa e extensão, além da administração da universidade, como chefia de departamento. Com o decreto, eventualmente alguma dessas atividades precisaria ser abandonada. "A pesquisa e extensão da UEL tem grandes nomes reconhecidos nacional e internacionalmente. É isso que diferencia uma instituição pública de uma privada e por isso que a UEL está entre as primeiras em vários rankings."
A pró-reitora destaca que a UEL não está em greve, por isso as atividades de pesquisa, extensão e administrativas continuam funcionando normalmente. Apenas as atividades de graduação estão suspensas, entre elas a confirmação da matrícula dos calouros junto à Prograd. Essa confirmação deveria ser feita entre os dias 19 e 23 de março e serão retomadas após a definição do calendário do ano letivo de 2018. (E.G.)