Para complicar, a caixa d’água do prédio estava destampada. Recipientes espalhados também acumulavam água. Tudo junto tinha virado um prato cheio para o mosquito da dengue.
A reportagem conversou com vizinhos há alguns dias e ouviu muita reclamação. Maurina Zambrin, ministra da Paróquia Sagrados Corações, que fica em frente ao Clam, contou que o prédio era usado por usuários de drogas, que chegavam a extorquir donos de carros. "Usuários que usam o espaço costumam forçar os motoristas a dar dinheiro a eles. Se isso não acontece, o veículo é danificado e furtado", denunciou Maurina. "O mato alto e os mosquitos que saem do prédio também incomodam bastante", completou.
Casas e pontos comerciais também são arrombados frequentemente pelas pessoas que utilizam o velho hospital. "Vários moradores já foram furtados aqui. O meu estacionamento mesmo foi invadido, tive prejuízo e gastei para fazer os reparos", reclamou um homem que não quis se identificar. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Local vai abrigar edifício comercial
Na quarta, a empresa Ultramed confirmou que é atual proprietária do imóvel, que deverá ser demolido para dar lugar a um novo prédio comercial. De acordo com o administrador da empreendedora imobiliária 2MBDI, Dorceles Vercesi, a compra foi feita em um leilão e o trabalho de demolição começou no início da semana. "Já temos um projeto, mas ainda não assinamos com nenhuma construtora. Provavelmente daqui há dois meses já teremos essa definição e começaremos a obra. No local haverá laboratório, estacionamento subterrâneo para atender a população e salas para locação. O prédio vai ter entre oito e 12 andares, de acordo com o que for permitido", detalhou. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
História começou nos anos 1940
O Conselho Londrinense de Assistência à Mulher encerrou as atividades em outubro de 2011. Na época, nasciam no hospital uma média de 100 bebês todos os meses. Segundo a série "Londrina Documenta: Cuidar, Curar, Lembrar – Memória da Saúde em Londrina", organizado pela professora da UEL e diretora do Museu Histórico, Regina Célia Alegro, o atendimento à população teve início na década de 1940, na então Casa de Saúde e Maternidade Rocha Loures. Em 1953, o hospital passou a ser de propriedade de um grupo de médicos e foi rebatizado como Hospital São Leopoldo. Anos depois, passou a ser o Clam, o Hospital da Mulher. (P.M.)
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Vigilância capturou larvas
Na última sexta, um fiscal da Prefeitura recolheu larvas de mosquitos, que podem ser da dengue, no antigo prédio. A diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Mara Alice Zanetti, comentou que havia muitos problemas no local e que o dono do prédio seria procurado e notificado. "Caso o espaço não seja limpo no tempo determinado, poderá ser lavrada uma multa contra ele", garantiu. (P.M.)