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HORA DO RANGO - Haja bolso pra fazer a salada

17 nov 2015 às 08:32


Se a conta não fecha para o consumidor, e cada ida às compras é um susto atrás do outro, comerciantes de sacolões e proprietários de box na Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) reclamam que também sofrem com as variações de preços. O NOSSODIA esteve no Ceasa de Londrina na última sexta-feira 13 para saber até que ponto as chuvas e a greve de um grupo de caminhoneiros deflagrada no início da semana passada afetaram os preços dos produtos.
Pra começo de conversa, o vendedor Julio César Alexandre, que tem mais de 20 anos de experiência, esclareceu que as variações climáticas influenciam muito no preço - da saída da lavoura ao consumidor final. "Hoje, por exemplo, o produtor não colheu tomate por causa da chuva e isso vira uma cadeia que afeta a todos. Mas hoje o preço está bom, R$ 40 a caixa com 23 quilos. Na quarta, era R$70. Tomate é assim mesmo" explicou. No box que oferta 46 tipos de frutas e mais de 30 variações de legumes que são vendidos para supermercados, Alexandre tem limão vindo de Araraquara, melancia de Marília, maracujá de Belo Horizonte, caqui da Espanha, melão do Rio Grande do Norte e maçã do Rio Grande do Sul. "Tem dois caminhões com mamão vindos da Bahia que só vão chegar aqui com quatro dias de atraso. Isso por causa da greve dos caminhoneiros na estrada. A sorte é que o caminhão é refrigerado, ou ia perder tudo. A variação do clima interfere, mas nosso maior inimigo é o governo", reclamou.
A greve, por sua vez, também afetou a venda de batata e cebola do box de Marcelo Alves Ribeiro. "Com medo da greve, muita gente deixou de viajar para vir comprar, com isso, encalhou. De R$160 passou para R$ 120 o saco com 50 quilos." Ribeiro explicou que seus clientes são donos se supermercados de cidades do interior de São Paulo como Ourinhos e Assis. "Até do Mato Grosso. E como é um produto perecível, de giro rápido, o risco de ficar preso na estrada intimida. Daí, esse tipo de coisa só atrapalha." Dono de um mercadinho em Arapongas, José Baquim, 70 anos, uma vez por semana visita o Ceasa de Londrina. "Levo de tudo um pouquinho." Há 22 anos no ramo e prestes a parar, contou: "Tem coisa que tá boa, tem coisa que tá ruim e no ano que vem eu paro."


Letícia Takei: "Preço do tomate muda todo dia, varia muito"

No sacolão, sacolinhas na mão
A comerciante Leonor Xavier da Silva Rosa, 42 anos, tem um pequeno sacolão na rua Tapuias, Vila Yara, e admite que sua freguesia fica atenta às mudanças de preço. "Eu tenho banca desde R$0,99 e para não repassar para o consumidor, ganho menos." Há 21 anos no ramo, Rosa reclama: "É muita oscilação e olha que eu pesquiso, compro de madrugada e de tarde e estou sempre em busca de produto barato." Na avenida Lúcia Helena Gonçalves Vianna, Zona Norte de Londrina, no recém-inaugurado sacolão Econômico o discurso segue a mesma linha. É possível encontrar tomate a R$ 1,29 o quilo. "A gente briga no preço pra não espantar a freguesia. Na última compra, batata e cebola subiram muito. Uns falam que foi a greve, outros, a chuva, e a gente acaba diminuindo nossa margem para que o freguês não deixe de comprar", explica Letícia Takei.


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