Enquanto o time masculino jura de pé junto que é pau para toda hora, a mulherada reclama e entrega: maridão faz corpo mole na hora de fazer um reparo em casa e recorre até ao sogro para manter o lar em harmonia. A vendedora Juliana Batista da Silva Reis, 31 anos, recorre ao pai quando algo enguiça na casa dela. "Se eu for depender do meu marido, posso esquecer. O nosso chuveiro estragou e se não tivesse outro banheiro em casa, eu sei que teria que ir tomar banho na casa da minha mãe". Casada com um jogador de futebol, Juliana acredita que tenha sido falta de vontade de aprender. "Ele é prático. Nunca foi atrás. Assume que não faz e quando tem algum problema, fala: "Chama o pai. Já chama até meu pai de pai", entrega.
Situação semelhante vive a autônoma Vania Roberto, 34 anos. "Já tem cinco dias que a torneira da cozinha está pingando. Já coloquei até uma canequinha debaixo do pinga-pinga e ele disse que ia fazer no sábado, mas não fez. Eu sei que ele vai consertar a torneira, só não sei quando. Ele troca resistência, reator, lâmpada", enumera. O marido de Vania é caminhoneiro, faz entregas de dia, mas à noite está em casa. "Acho que esse friozinho deixou ele meio preguiçoso", pensa. Para esse e outros casos, a sócia da empresa Doutor Resolve, em Londrina, Marcela Troiano, afirma que o perfil dos clientes é amplo. "Não são só as donas de casa, mas também muitos idosos. Somos chamados para trocar resistência de chuveiro, sifão, desentupir ralos, trocar reparo de torneira e acabamos fidelizando os clientes porque damos garantia de três meses e nossos profissionais são capacitados e possuem habilidades específicas.
De acordo com o gerente do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Londrina, Milton Velei, um profissional multitarefas como citados acima pode garantir uma vaga efetiva em uma empresa e conquistar benefícios como o registro na carteira de trabalho. "Um técnico em manutenção predial inclui conhecimentos como saber consertar um chuveiro, resolver o problema de uma pia e pode ser contratado e ter direitos assegurados como fundo de garantia, acesso ao seguro desemprego, direito a férias remuneradas, além de ficar resguardado em caso de doenças ou acidentes." De acordo com Velei, frequentemente há vagas que se enquadram nesse perfil de trabalhador e também com as nomenclatura auxiliar de manutenção e empregado doméstico de serviços gerais. (W.V.)
Tem marido que faz mesmo
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De uma coisa a dona de casa Leonildes Vicente Sabiá, 66 anos, não pode se queixar: se uma torneira começa a pingar, o chuveiro queima, ou uma lâmpada precisa ser trocada, o marido logo entra em ação. Morador do Distrito de São Luiz, o motorista Alberto Silvestre Sabiá, 72, não dá brecha para reclamação e resolve tudo antes de ser repreendido. "Ela não é de reclamar. É gente boa, principalmente dormindo", brinca. O maridão conta que tem um filho encanador e que nunca foi de depender de terceiros para deixar a casa em ordem. Sobre emprestar o marido para vizinhos ou outros, a esposa adverte: "Nem pensar, não alugo não". (W.V.)
Porteiro concilia rotina com bicos e preserva salário

André Luiz Pierre: Me chamam de marido de aluguel, quebra-galho, se vira nos trinta"
Já o porteiro André Luiz Pierre, 52 anos, é liberado pela esposa para atender os aflitos quando os assuntos são problemas domésticos. Natural de Apucarana, Pierre conta que sempre foi de observar. "Sei fazer serviço de pintura, eletricista, coloco varal de parede ou de teto, monto e desmonto guarda-roupa, faço mudança e agora vou fazer curso de eletricista padrão para me aprimorar." Do perfil que não gosta de ficar parado, André já planeja a aposentadoria. Porteiro no mesmo edifício há 28 anos, ele e a esposa, que é enfermeira, planejam se mudar para Florianópolis-SC, onde vive uma filha. Daí, os bicos ganharão o posto de oficial. "Tenho furadeira, martelo, parafusadeira, morsa, esquadro e sei que a maioria dos homens e pais de família que precisam contar comigo é por falta de tempo e não querem abrir mão de um momento em família para fazer um reparo que exige, além de tempo, experiência e paciência", acredita.
Com a grana extra, Pierre afirma que faz bom proveito. "Semana passada mesmo, paguei água e luz com os bicos. Não tirei do salário. Morador do Jardim Veneza, zona Leste, Pierre tem uma carga horária de seis horas na portaria e por isso consegue conciliar as duas atividades. "Consigo agendar os serviços e resolver questões pessoais, daí vou trabalhar sossegado." Fora os serviços para os quais Pierre se considera qualificado, há ainda os inusitados. "Já me chamaram para tirar morcego de apartamento, borboleta, mas daí não cobro, não. Sou atencioso, o que estiver ao meu alcance, ajudo". (W.V.)