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Há anos fedendo - Mau cheiro de cada dia na Zona Sul

01 out 2017 às 21:01


Bronca antiga, a poluição que invade o ar da região sul em Londrina parece um caso sem fim e, embora moradores já tenham feito reclamações formais e abaixo-assinado, são anos e anos de mal estar por conta da poluição atmosférica que torna dias e noites de quem vive na região amargos e motivos de verdadeiro desânimo. NOSSODIA foi procurado pela população que se sente privada de uma necessidade básica para sobreviver: respirar. Secretaria de Ambiente conhece o problema e já autuou uma empresa que fabrica ração.
É só tocar no assunto mau cheiro da zona sul que a conversa se aprofunda. Problema comum a vários bairros, é de portas e janelas fechados que moradores tentam amenizar a situação. O empresário Rovilson Alves, 41 anos, define o que sente no dia a dia: "Carniça." Morador do bairro desde 1992, não se conforma com a falta de solução. "Gostamos do bairro, dos vizinhos e amigos e quando pensamos em fazer uma benfeitoria onde vivemos, surgem dúvidas porque esse problema já está até desvalorizando os imóveis que sofrem com isso. É direto assim e, muita vezes, a empresa que faz rações queima algo primeiro para tentar mascarar a fumaça com o mau cheiro", reclama. Inconformado, Alves procurou autoridades competentes e investiu tempo e energia nessa questão: "Tivemos reuniões com Sema, Força Verde e quando a fumaça começa a ser dispersada, é falta de ar, tosse e muita dor de cabeça", relata. Se estamos em um outro bairro, basta ir entrando aqui para começar o mal estar, tranca a garganta. Já vivemos isso até na virada do Natal e Ano Novo. Foi muito desagradável, uma tremenda falta de respeito, principalmente para as visitas, não acostumadas com essa carniça", desabafa. A autônoma Sueli Aparecida da Luz, 49 anos, engrossa o assunto e exclama: "In-su-por-tá-vel", resume. "Moro aqui há 31 anos, não merecemos isso. Todo mundo sabe que é a fábrica de ração e eu e meus filhos chegamos a ter náuseas de tão forte. Nos fins de semana é crítico. Parece um castigo e não dá nem pra colocar roupa no varal. Se pegar fumaça, tem que lavar tudo de novo", lamenta. Precisava resolver isso". A empresária Renata Soares, 28 anos, também se sente prejudicada. Dona de uma pizzaria na avenida Eurico Gaspar Dutra, sabe da dificuldade dos clientes em conciliar o prazer de comer com o odor que toma conta do ar. "Recebemos muita queixas e muitos acabam preferindo ir embora ou ficam menos tempo do que gostariam. É algo que foge do nosso controle. Um cheiro muito forte, desagradável, verdadeira carniça, que não combina com a hora de comer, sagrada. Precisavam se colocar no lugar da gente. É de perder o apetite mesmo."

Secretaria de ambiente segue atenta
De olho vivo e faro fino. Assim a Secretaria de Ambiente se coloca diante do problema. De acordo com a Secretária de Ambiente, Roberta Silveira Queiroz, os moradores inclusive tiveram oportunidade de acompanhar uma visita técnica a uma empresa que produz farinha de ração para avaliar as adequações – filtros e chaminés - e o processo produtivo da empresa. "Essa gestão já recebeu reclamações, assim como a de outros possíveis causadores com uma empresa de fertilizantes e de couro." A empresa citada por moradores, por sua vez, também. "A empresa tem esse compromisso, já foi autuada, notificada e reconhece que o odor é natural da própria atividade." A Secretaria explica que as mudanças climáticas contribuem para dispersão do mau cheiro. "Toda vez que há uma inversão térmica, mudança na densidade de ar, a propagação do mau cheiro se acentua. "Depois de notificada, houve melhora e redução de reclamações, inclusive nos horários em que as pessoas estão fazendo suas refeições. Por isso, é importante que a população entre em contato com a Sema e faça e formalize a reclamação para termos esse registro. O telefone é 3372-4770." (W.V.)



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