Desde o início de setembro a população encara os cartazes "Estamos em Greve" com desconforto. O atendimento está limitado e quem encara o terminal eletrônico das agências bancárias para fazer saques ou efetuar pagamentos reclama da lentidão e das filas. Grávida de sete meses, a dona de casa Kely Isadora da Silva, 34 anos, admite que está estressada. "Ouço muita reclamação. Entendo que querem aumento, mas já passou da hora de voltarem. Estou inchada, cansada e fui tentar entrar na agência onde os aposentados são atendidos e não deixaram", reclama.
A promotora de vendas Vera Martins, 47 anos, resume: "Está difícil." Em frente a uma agência, entrega: "Muita gente está sem dinheiro por causa da greve. Só os ajudantes não é a mesma coisa. E eu mesma perdi meu cartão e não consigo pedir outro. Uma amiga precisa regularizar a conta e também não pode. É um entrave e os aposentados são os que mais sofrem". Já a aposentada Mara Dias de Almeida, 66 anos, é a favor da paralisação. "Eu entendo a situação. Está tudo defasado e cada profissional tem que se valorizar mesmo".
Bancário há 31 anos, Ademir Toshio Oshiro argumenta: "Esse ano os banqueiros não se preocuparam nem com as eleições, período que gera grande movimentação financeira. Eles estão muito seguros." Oshiro admite que a população sofre e reclama. "Setembro é nosso mês de negociação e os banqueiros ofereceram um reajuste muito aquém do razoável. Essa semana a greve segue e sabemos que ouviremos xingamentos dos clientes menos pacientes", prepara-se.
Presidente pede paciência à população
A presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, Aparecida Regiane Portieri, revela que a paralisação continua nessa semana, ainda sem previsão de retorno. Ela pede paciência para a população. Na última sexta-feira, a greve da categoria completou 25 dias. Na mesma data, a cidade contava com 80% das agências fechadas. "Na última rodada de negociações com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), foi apresentado aos trabalhadores um reajuste de 7%, mais R$ 3,5 mil de abono. Reajuste que não foi aprovado pela categoria. Também não temos uma data para a realização de uma nova rodada de negociações", informou a presidente do grupo de bancários londrinenses.
Paulo Monteiro
NOSSODIA
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