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Comer feijão é ostentação

"Grão de ouro" Feijão tipo ostentação

Walkiria Vieira
NOSSODIA
07 jul 2016 às 09:07

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Saulo Ohara
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Diante da disparada de preços de produtos básicos como alho, alface, feijão e leite, NOSSODIA ouve leitores e cada um conta como está se virando para driblar os preços altos e manter a alimentação saudável. A distribuidora de panfletos Tereza de Souza Botelha, 57 anos, admite que para ela uma refeição completa pede arroz, feijão, carne e uma saladinha. "Como eu moro sozinha e tem pesado muito no orçamento, abri mão de comprar o feijão, mesmo. Levei uma susto na última vez que fui ao mercado, ouvi outras pessoas comentando que também não poderiam levar porque o quilo estava R$ 14 e para mim isso causa um impacto grande no orçamento". Moradora da Vila Casoni, Tereza diz que é daquelas que pesquisa preço e qualidade. "Mas está tudo na mesma média. O leite está fora de condição, ainda mais pra mim que pago aluguel, luz, água. A minha salada de alface, por exemplo, troquei por repolho", conta.
A professora Benedita Goulart, 51 anos, reconhece que o salário já não compra o que antes era possível. "Eu, particularmente, não como feijão e também não bebo leite, mas tenho ouvido queixa de todo lado e algumas amigas estão comprando outros tipos de feijão, os que estão mais em conta". Para sorte do marido de Benedita, o feijão não fica só no sonho. "Vem na nossa cesta básica. Todo mês são dois quilos e ainda divido com minha filha porque faço só para ele, então um quilo por mês é suficiente", explica a moradora de Florestópolis.

Nutricionista orienta substituiçoes inteligentes e acessíveis
No lugar do feijão carioquinha, o preto, soja, ervilha, lentilha ou grão de bico, leguminosas de composições diferentes, mas funcionais. A dica é da nutricionista especializada em Nutrição Clínica Annelise Cornelsen Maciel. Para quem investe no macarrão no lugar de arroz com feijão, um alerta: "Não recomendo a troca porque o macarrão é um carboidrato de farinha branca, contém glúten e sua absorção é mais rápida, sacia menos e em pouco tempo o indivíduo vai ter fome. O ideal seria arroz, mandioca, mandioca salsa, e a batata doce." No caso das saladas, Annelise diz que os leitores do NOSSODIA estão no caminho certo ao optar pelo repolho e não abrir mão de uma folhagem. "O ideal é variar. Há o almeirão, acelga, agrião e ainda que o consumo não seja diário, pelo menos de duas a três vezes por semana, tanto no caso do feijão, como das saladas." Sobre o leite engrossado com aveia, a nutricionista explica que o ideal é que uma criança de dois anos consuma duas mamadeiras diárias apenas. "Entendo que há crianças altamente seletivas, mas a comodidade não deve prevalecer. A alimentação deve ser equilibrada e variada e durante o dia a criança deve receber alimentos como frutas e até s derivados de leite", sugere. (W.V.)

Consumidora boicota e dá receita de economia
A cabeleireira Maria Luiza Assis, 57 anos, explica que o assunto virou papo em seu salão de beleza. "O movimento do salão caiu pela metade. A gente tenta manter os preços, mas está difícil. Tudo subiu. Está complicado para todo mundo", ressente-se. Uma caixa de leite quase R$ 4?", indigna-se. "Lá em casa somos quatro, tenho dois filhos e eu confesso: estou boicotando o feijão, e no lugar do arroz com feijão, sirvo macarrão. A alface também boicotei. E ainda bem que lá em casa ninguém é enjoado, então faço salada com repolho, tomatinho e cebola", dá a dica para economizar e manter a refeição balanceada.
Já auxiliar de cozinha Sandra Mara da Silva, admite que diante dos preços altos, o restaurante em que trabalha foi obrigado a repassar o aumento. "Alguns clientes entendem, outros não querem entender. O quilo do alho, tá em média R$ 25. Moradora do Jardim Belo Horizonte, Sandra Mara diz que na casa dela são cinco caixas de leite com 12 unidades por mês, ao todo, 60 litros. "São dois litros por dia e esse a gente não tem como cortar, então diminui a quantidade do feijão, por exemplo, para equilibrar as contas da casa. Todo mundo come menos enquanto estiver assim", decidiu. Com uma sacola cheia de aveia, Crislene Amaral, 26 anos, justifica: "É para o meu sobrinho, como o preço do leite subiu muito, minha cunhada está engrossando com aveia para o leite render mais. Moradora do Jardim Maria Celina, na zona norte, Crislene considera que está difícil manter as contas em ordem também na casa dela. "Tenho duas meninas" (W.V.)


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