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Folgados pra caramba - 100% cara de pau

Walkiria Vieira
NOSSODIA
23 jul 2015 às 09:39

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Ricardo Chicarelli
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"Nunca ninguém reclamou. É de boa. Se alguém precisa estacionar e pede, a gente até deixa, mas aqui tudo em volta é só estacionamento mesmo. Difícil alguém precisar parar por outro motivo." Esse é o argumento de um vendedor de carros de uma loja localizada na rua Uruguai, centro de Londrina. Enquanto um funcionário faz a limpeza do carro, o vendedor aborda pedestres na tentativa de fechar mais uma venda. A cada dia, está mais difícil estacionar em Londrina, principalmente pelas ruas do centro. A coisa fica pior no reduto das garagens de compra e venda de veículos, já que os proprietários utilizam a via pública como vitrine e extensão do comércio deles, num total desrespeito aos outros motoristas e à lei. Em várias quadras, carros e mais carros em fila, com valores, nome da loja e até forma de pagamento.
De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), o artigo 36 da Lei 11468/2011 determina que é proibido embaraçar ou impedir por qualquer meio o livre trânsito de pedestres ou de veículos. No entendimento do coordenador de Posturas do Município, Wilson Galvão, os estacionamentos que se utilizam de vagas públicas para fins comerciais estão infringindo o Código de Posturas do Município e embaraçam o uso coletivo, sim. "A infração é passível de multa de R$ 60 a R$ 3 mil reais", explicou por meio da assessoria de imprensa.

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Herança maldita
Em 3 maio de 2013, o idoso José Matesco, 74 anos, foi atingido por um carro desgovernado.
Ele morreu prensando contra um muro no cruzamento da rua Pirapó com a Bahia.
Sem motorista, o carro oriundo de um estacionamento localizado na rua Bahia andou sozinho e atingiu o idoso. O local hoje está sob nova direção. Com um carro parado em guia rebaixada, fora de sua loja, o proprietário da Londrina Veículos, Júnior Silva, 30 anos, admite que o que aconteceu foi grave. "Mas não tem por que jogar o negócio em cima de mim". Mesmo com
o registro de um carro de sua empresa à venda, parado em frente à guia rebaixada, ele bate o pé: "Não deixo carro lá fora. Tem loja aqui perto que larga carro na calçada e todo mundo paga o pato e acaba prejudicando outras lojas." (WV)

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Um carro atrás do outro e uma desculpa atrás da outra também
Na Londricars, embora o comerciante Alexandre Junior, tenha informado que apenas um carro fique do lado de fora de sua loja, a reportagem viu, contou e fotografou bem mais. "Nossa loja é bem grande", comenta o comerciante que está há mais de 10 anos no mercado. "Sempre foi assim." Na loja Fox, o gerente comercial Heber Zardioli, 36 anos, admite que durante a entrevista, seis carros estavam estacionados do lado de fora da rua, ocupando vagas públicas. Entre os veículos, um fusquinha rosa e um caminhão. "Sempre observo se não está em faixas demarcadas, mas essa é uma maneira de ajudar na venda. Só paro onde pode. Uma época a CMTU alegou que não era para pintar os vidros." No ramo há mais de 20 anos, Zardiole diz que não se incomoda com as queixas. "Também tenho problemas para receber meus clientes ou quando vou ao banco, a uma comércio, falta vaga." Na Araguaia Automóveis, localizada na rua Bahia, o gerente Itamar Alberto, 35 anos, se disse surpreso ao saber que um dos carros vendidos por sua loja ficou estacionado a tarde inteira em cima da calçada. "Fica negativo para a imagem da empresa. Se eu estivesse aqui, isso não teria acontecido porque a gente tenta andar conforme as normas, andar na linha, mas vou puxar a orelha dos funcionários", disse.
Na Conquista Veículos, Edvaldo Antero, 39 anos, se apresentou como responsável. Embora o carro vermelho, ano 98, com telefone, valor e identificação da loja estivesse exposto na rua para venda, ela afirma: "É difícil colocar carro na rua. Às vezes é para a pessoa vir até mim, mas a loja não põe carro pra fora. Esse que você tá falando é de um funcionário. Ele decidiu pôr pra venda", justificou. (W.V.)


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