Quem não gosta de um leitãozinho à pururuca, um torresmo, uma costelinha de porco. A Festa da Leitoa que o Distrito da Warta (zona norte de Londrina) organizou no final de semana teve inúmeros motivos para ser comemorada. Em primeiro lugar, porque o evento não era realizado havia uma década. E em segundo porque o acontecimento voltou a movimentar e mudar o clima na localidade. Passaram por lá cerca de 5 mil pessoas segundo a coordenação do evento. E não era só comida que tinha, não. A programação incluiu apresentações culturais e mais de 40 barracas de alimentação, artesanato e brinquedos.
O ponto alto da festa, o almoço servido no domingo, teve no cardápio a comida típica local: leitoa assada no forno à lenha. "Apesar da chuva, foi muito bom. Viemos de Londrina para almoçarmos em família", contou a estudante Thaís Juliani Lopes.
Para que o almoço, que culminou com a comemoração do Dia das Mães, agradasse o paladar dos visitantes, uma equipe de 40 voluntários trabalhou na cozinha sob o olhar experiente de Arvelino Murinelli, de 65 anos. Ele chegou ao Distrito da Warta com apenas 3 anos de idade e participou de todas as edições da Festas da Leitoa, sendo pelo menos 10 delas à frente do forno. Ele coordena desde o tempero da carne ao momento que ela é servida com arroz, mandioca, salada e farofa.
Murinelli conta que na retomada da festa foram servidos 300 quilos de porco no tacho e 500 de leitoa assada. Ele explicou que a carne não consumida é comercializada e também distribuída entre os voluntários. Ao ser questionado sobre o sucesso da leitoa, Murinelli revela que não se trata do tempero, mas do fogo. É por isso que, na noite anterior, uma pessoa é encarregada especialmente para cuidar do fogo. Sendo assim, quase dez horas antes do almoço, o forno está no ponto para receber a carne.
Alunos do Colégio Estadual da Warta apresentaram a dança Cracóvia, em homenagem aos imigrantes poloneses
Surpresa positiva
Quem ficou do lado de fora do salão paroquial também se preparou com antecedência e se surpreendeu com os resultados da festa. As amigas Ana Carolina da Silva Costa e Vanessa Apolinário, montaram uma barraca para vender bolos de colher. "Ficamos com receio de preparar muito e não vender. Foi o contrário. Tivemos que fazer receitas extras", declarou Ana Carolina, contabilizando mais de 500 bolos vendidos. "Foi muito bom ter essa festa de volta. Todo mundo se animou e agora só se ouve falar dela", destacou.
Um painel com imagens do acervo pessoal dos moradores e do Museu Histórico de Londrina trouxe um pouco da história do Distrito. Além disso, alunos do Colégio Estadual da Warta apresentaram a dança Cracóvia, em homenagem aos imigrantes poloneses que se instalaram no local a partir da década de 1930. "Vamos nos organizar para que a festa volte a acontecer todos os anos. É uma festa rural que resgata nossa história", salientou Marcelo Muller, coordenador da Associação de Moradores da Warta, que é organizadora do evento juntamente com a Paróquia Santo Antônio. (M.O.)