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NOITES EXPLOSIVAS

Farra explosiva - Durma com um barulho desse!

Walkiria Vieira
NOSSODIA
17 nov 2016 às 08:46

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Som alto, consumo de bebida alcoólica e calçadas intransitáveis. Some a isso dois postos de gasolina com conveniência, um seminário religioso e a falta de policiamento ou organização de centenas de pessoas. Esse é um dos cenários descritos por moradores da zona oeste de Londrina. Há seis anos, a vizinhança do jardim Shangri-lá busca, sem sucesso, a paz onde vive. "Ficam até pelados e a aglomeração passa de mil pessoas nos dois postos". O relato é de um morador que pediu para não ser identificado por temer represálias. "Já procuramos todos os órgãos e a justificativa é a falta de pessoal, de verba para hora extra e também a dificuldade em conter tantas pessoas de uma vez na madrugada", relata. O morador descreve ainda que nas noites de sexta para sábado e sábado para domingo, os dois postos de gasolina localizados na avenida Tiradentes, esquina com Rio Branco, se tornam pontos de total desordem. "E descaso". Um abaixo assinado foi feito solicitando mudanças inclusive no horário de funcionamento dos postos de gasolina citados pela vizinhança. "Começa à meia-noite e vai até às seis da manhã", afirma.
O lavador de carros Fabio Nascimento, 33 anos, confirma a situação. "Isso é um caos. A bagunça é muito grande e a gente que não mora, mas trabalha aqui, sofre." Nascimento trabalha em um dos postos citados e quando chega a seu local de trabalho no sábado a primeira atividade a ser feita é recolher todo o lixo descartado no entorno do estabelecimento. "Primeiro vejo se não roubaram nada e depois caio na faxina. Chegam aqui de isopor lotado. É casco quebrado, bala de borracha e muita sujeira", reclama.

Postos levantam a bandeira branca
Citados como os vilões da noite, já que as lojas de conveniência são fonte de abastecimento – de bebidas alcoólicas - para os baladeiros, os postos de gasolina, por meio de seus representantes, afirmam que também querem erguer a bandeira branca e selar a paz com os moradores. "Primeiro que não permitimos o consumo de bebidas na área do posto, mantemos segurança para isso e agora decidimos que fecharemos a loja de conveniência a partir da 1h30 da manhã", afirma o gerente de um dos estabelecimentos, Wagner Lombardi. Entretanto, ele reforça o fato de os frequentadores do entorno levarem bebida de outros lugares. "Decidimos isso para preservar nossa imagem perante vizinhos e clientela. O retorno financeiro não compensa diante da perturbação", diz.
No outro posto de combustíveis, a gerente Eliana Tobias, 49 anos, reclama da perturbação, assim como os moradores. "Veja nas calçadas as garrafas jogadas, a maioria nem vendemos aqui. Colocamos faixa sobre proibição de som, consumo de bebidas e somos ameaçados. Entram, erguem a blusa, mostram a arma e pegam a caixa de cerveja e a gente não pode fazer nada. Par se ter uma ideia, empresas de segurança já se recusaram de fazer a segurança aqui no posto porque a situação é muito perigosa. Hoje (Quarta-feira, 16) mesmo eu tive que fazer um boletim de ocorrência porque o homem ficou do lado de fora esperando nossa funcionária e a ameaçando porque temos regras como não entrar com capacete. Veja essa porta arrombada", mostra. A gerente informa ainda que esteve pessoalmente em uma delegacia para reportar o caos. "A polícia disse que só se vierem várias viaturas", lamenta. Sobre o jovem morto a tiros na avenida Rio Branco, na madrugada de segunda para terça desta semana, os responsáveis pelos dois postos consideram que seja um fato a mais para levar o caso a sério. (WV)


Vários focos de perturbação
A Assessoria de Comunicação do 5º Batalhão da Polícia Militar enviou a seguinte nota: "Temos em Londrina muitos focos de concentração de jovens onde ocorrem reclamações por vezes com perturbação de sossego. A PM, quando acionada, envia viaturas e orienta as pessoas a abaixar o som. Quando a concentração de pessoas é muito grande, exige planejamento de uma operação a fim de garantir que o número de policiais seja suficiente, pois nesses casos podem ocorrer hostilização e confrontamento." A PM ainda acrescenta que, pela falta de leis específicas, a polícia fica impossibilitada de encaminhar os infratores alterados, que geralmente estão sob efeito de álcool e promovem algazarras. "Por outro lado, geralmente os queixosos não se prontificam a identificar os perturbadores do sossego, os quais, com a chegada da PM se antecedem a abaixar o som. São diversos os problemas encontrados e que fogem da alçada da PM e são de responsabilidade de órgãos municipais também", afirma a nota. (W.V.)


MP requisita fiscalização
Em atendimento à reportagem do NOSSODIA, a promotora de justiça
Solange Novaes da Silva Vicentin deu a seguinte declaração: "Com relação aos moradores do jardim Shangri-lá, atrás dos Postos da Av. Rio Branco, existe procedimento em trâmite, nesta Promotoria e na 24ª Promotoria também. Na minha Promotoria já foram feitas diligências (uma operação AIFU – Ação Integrada de Fiscalização Urbana , o que foi pedido pela comunidade) e também requisição de fiscalização junto aos Órgãos competentes. No mais, estivemos em reunião e os moradores foram orientados a fazer reclamação, colocando os problemas que poderiam ser resolvidos em relação à atribuição da minha Promotoria, para que eu possa continuar tomando providências junto ao Poder Público, já que eles somente especificaram questões envolvendo segurança (atividade policial)." Ela tmabém orientou a população a relatar as queixas para a Ouvidoria Geral de Londrina, no telefone 3372-4532.
Procuradas, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) afirmou, via assessoria de imprensa, que por questões administrativas não há como fazer fiscalizações noturnas constantes, enquanto a Secretaria do Meio Ambiente, por meio da diretoria de fiscalização, disse que as fiscalizações são feitas em ações integradas da AIFU. (W.V.)


‘Batalha’ na ZL e na Concha
Na Rua Jurema, jardim Antares, próximo à escola Estadual João Rodrigues, zona leste, moradores relatam ao NOSSODIA o que sofrem. "Todas as quintas-feiras é o inferno na Terra. É som alto, consumo de drogas, pichação e lixo". Quem reclama, pede para não aparecer e nem ter seu nome no jornal. "Temos medo porque eles podem tudo. Até o culto de quinta precisou mudar de dia porque não dava pra ouvir nada", diz. Um professor divide opinião com o morador. "Meus alunos faltam na quinta para ir na batalha da zona leste e na sexta para a batalha da concha. Se eu falasse o que eu ouço em sala de aluna, seriam recolhidos pela Justiça, e eu morta. As famílias desses frequentadores não têm ideia do que esses jovens fazem e o que estão perdendo além da aula. É muito triste e deveria ter fiscalização, o projeto deveria ser reavaliado porque está tudo errado. Faltam segurança, organização e respeito aos moradores", expõe. (W.V.)

Entre dois postos, o fim da vida
Era o que faltava. Uma morte na avenida Rio Branco, na madrugada de segunda para terça, deixa moradores ainda mais assustados com aglomeração na via. A manicure A.C.D, 39 anos, diz: "Até que demorou para acontecer uma tragédia. Já passou do limite faz tempo. Falta autoridade e nunca que deixo meu filho ir ali", pensa. A londrinense se refere à morte de Daniel Rodrigo Rafael, atingido por pelo menos cinco disparos de arma de fogo. Segundo informações do Instituto de Criminalística de Londrina, estojos de munição 9 milímetros foram encontrados no local do crime. Rafael estava próximo ao cruzamento entre as avenidas Rio Branco e Tiradentes. O crime ocorreu por volta das 4 horas da madrugada. Socorristas do Siate e a Polícia Militar foram chamados para atender a ocorrência. O rapaz foi ferido no peito, no abdômen e nas pernas e morreu antes da chegada das equipes. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal. As informações serão repassadas à Polícia Civil, que vai investigar o caso.
Grupo Folha


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