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Família tem papel essencial no apoio aos alunos

02 set 2018 às 21:19


Em diferentes anos da vida escolar, uma dificuldade ou outra pode surgir na caminhada do aluno, independentemente da idade dele ou do nível escolar. Além de dar atenção, os pais ou responsáveis podem fazer dessa dificuldade uma oportunidade para motivar, dar segurança e manter a confiança no relacionamento com o filho nesta etapa de aprendizado. A psicopedagoga Maria do Carmo Cardoso Bezerra é enfática acerca da necessidade de apoio nesta fase. "Muitos alunos não conseguem superar sozinhos a dificuldade e, com auxílio da família e de um profissional, alcançam a autonomia, que é um processo de construção que inclui mudança de hábitos e desenvolvimento de iniciativa.
Já a psicopedagoga Rossana Gontijo aponta caminhos para superação e reforça que a organização dos estudos e da rotina são chaves para o sucesso da educação infantil ao ensino superior. Confira a entrevista com ela:

Nota ruim é sinal de que algo não vai bem?
Isso pode depender de como a família encara as notas e avaliações. Mas, de um modo geral, uma nota ruim indica que algo precisa melhorar. De repente, nem é uma dificuldade de aprendizagem, mas de reorganizar o modo de estudar e a rotina. A faixa etária do estudante e os níveis de dificuldade devem ser considerados e às vezes é só uma questão de interpretação de texto, que pode levar a dificuldades em Matemática, História... Então, é preciso avaliar a causa para chegar a um entendimento e dar o apoio.


A que outros sinais os pais devem estar atentos?
Olhar para os filhos com atenção é um exercício diário. Notar um comportamento anormal, atitudes que não condizem com a idade, apatia, euforia exacerbada, falta de atenção. Existe o que é esperado e o que não. Precisamos ficar ligados. Educar e ter filhos é ter sensibilidade aos detalhes.


Como incentivar quem está com nota ruim?
Não precisa de desespero. Sempre é tempo de retomar e ainda temos tempo. Os pais não devem fazer pressão psicológica. Isso pode levar a uma tortura. Estudar não é uma tortura, mesmo que algumas matérias sejam mais difíceis. Quando os responsáveis encaram com naturalidade, ajudam a minimizar o desespero de quem pensa que vai perder o ano.


O que é possível fazer para não perder o ano?
Hoje em dia existem bons vídeos e bons professores no Youtube, principalmente no Ensino Médio, que ensinam as matérias e representam um apoio. Eles podem ser uma alternativa para quem não pode pagar uma aula particular. O ponto de partida é a organização dos estudos. Faça um quadro das matérias da semana e das provas. O ideal é que façam o estudo diário do que foi passado em sala. Mas se for muito difícil organizar essa rotina, estude com mais antecedência e não na véspera. Dá para planejar o estudo e cada um deve encontrar – com ajuda da família e psicopedagógica, a sua melhor maneira de aprender.


O bullying pode ser um fator gerador de notas ruins ou aversão à escola?
Sim, pois os fatores emocionais estão muito atrelados à aprendizagem. Quando o emocional não vai bem, dificilmente a pessoa estará aberta a aprender algo novo ou a estudar o que você já sabe. Uma pena que as pessoas não deem o devido valor às questões emocionais, tratam como frescura, sendo que a base da nova vida depende da estrutura emocional. Se você não estiver bem emocionalmente, por mais conhecimento que tenha, não consegue fazer nada. A construção da autoestima, de valores e estrutura emocional desde pequeno para que quando chegue na adolescência ou vida adulta esteja mais forte para que consiga lidar com os desafios da vida. A recusa em ir para a escola, a apatia, a reclusão e a falta de amigos e passeios é algo a ser observado. Pais podem ajudar com o fortalecimento emocional.

Muitos pais devem relatar a falta de tempo com o filho. Mas o que pode ser feito do ponto de vista prático para "socorrer" esse filho?
Acompanhar o filho em um passeio e ficar o tempo todo no celular, isso não é tempo de qualidade. É preciso conversar de verdade, olhar no olho. Mais vale uma hora de integração do que um dia inteiro dentro da mesma casa, sem olhar na cara dela. É importante se entregar para aquele momento. Ver TV, comer juntos, mandar um áudio com uma mensagem especial e conversar são formas de manter a proximidade.
E quando os pais começam a brigar? Um culpa ou empurra para o outro os resultados negativos?
Quando os pais começam a brigar e a colocar a culpa um no outro, precisam refletir. O problema é que na maioria das vezes nem percebem isso. A reflexão sobre o nosso comportamento é o que vai fazer a diferença na vida das crianças. Embora a gente pense que está fazendo o melhor, não percebemos as ciladas e os gatilhos que a gente mesmo dispara para que a crianças ajam daquela maneira. Ninguém tem a vida perfeita e consegue fazer tudo, dar conta de tudo da melhor maneira possível. Assim, quanto mais naturalidade a gente lidar, sem fazer de pequenas situações campos de batalhas, com conversa, é mais fácil de resolver o problema. E o que pode ser relevado, deve ser relevado. Quando a família percebe que não dá conta de resolver essas situações, é uma boa oportunidade de buscar uma terapia ou uma consultoria familiar para organizar e fazer os combinados a fluírem na rotina.


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