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FAMÍLIA DESESPERADA - Corpo pode ter desaparecido do Jardim da Saudade

11 fev 2018 às 19:54

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Paulo Monteiro
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"Falta de respeito, descaso. Tudo isso causa um grande sofrimento em todos nós", define a secretária Juliana Villas Boas, ao falar do drama que toma conta da sua família desde o início de 2018, após o suposto desaparecimento do corpo do seu pai do Cemitério Jardim da Saudade, região norte de Londrina. Na edição de 5 de fevereiro, o NOSSODIA denunciou que ossadas permaneciam amontoadas e expostas ao tempo no setor de conjugados da necrópole municipal. A maior parte em sacos de lixo, alguns abertos e, aparentemente, sem etiquetas de identificação.
O pai de Juliana faleceu há três anos. "Meu pai faleceu no dia 4 de janeiro de 2015. Ele tinha 57 anos e fomos pegos de surpresa. Como ainda não tínhamos um túmulo, ele foi encaminhado para o conjugado (túmulo público provisório) do Jardim da Saudade. Ele foi sepultado no túmulo 96. Porém o coveiro não teve o cuidado de identificar a sepultura na ocasião", relembra.
Para Juliana, o corpo do pai dela foi retirado de um dos jazigos para dar lugar a outro corpo. "Uma outra pessoa (o nome não será divulgado) foi sepultada no mesmo lugar, no dia 15 de dezembro de 2016. O nome dela foi gravado no próprio jazigo e registrado em uma lista usada pelos coveiros, para manter o controle dos sepultados", destaca. "O cemitério não teve o mesmo cuidado quando sepultou o meu pai. Não há muitas informações sobre o seu sepultamento", diz a secretária.
Segundo ela, após o sepultamento do patriarca no jazigo público, em janeiro de 2015, a família só poderia retirar o corpo do local após três anos. "Como tínhamos três anos para retirar o corpo do conjugado, no início de janeiro de 2018, pedimos a exumação do meu pai. A intenção era encaminhá-lo para outro túmulo, esse adquirido pela nossa família", explica Juliana. "Porém a Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) não encontrou mais o corpo. Para piorar, o coveiro que o sepultou não trabalha mais na Acesf e a administração não consegue localizá-lo para colher informações", detalha.
Com a cobrança dos familiares, segundo Juliana, a autarquia municipal passou a pedir prazos para identificar os restos mortais. De acordo com a Juliana, isso ainda não teria ocorrido até o fim de semana, quando a Acesf teria pedido mais sete dias para resolver o caso. "Após informações incertas e conflitantes, a Acesf admitiu a dificuldade de encontrar o corpo do meu pai e nos pediu mais um prazo", ressalta. "Após a publicação da matéria (NOSSODIA), tive a certeza de que os restos mortais do meu pai estariam em um daqueles sacos mostrados pela reportagem", acrescenta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

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Acesf abrirá procedimento administrativo
Na manhã da última sexta-feira (9), o NOSSODIA tentou novamente ouvir a superintendente interina da Acesf, identificada como Isabel Feijó Flores. Porém nenhuma informação foi encaminhada por ela até o fechamento desta edição. Na mesma data, o caso também foi direcionado ao Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina. O Núcleo respondeu que realiza um levantamento da situação e que "a Acesf abrirá procedimento administrativo para averiguar este caso", resumiu. (P.M.)

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