As estradas rurais de Londrina - se é que podem ser chamadas de estradas - complicam a vida de quem mora nos patrimônios e distritos. Nas chuvas que ocorreram no início do mês, os problemas voltaram à tona: lama, buracos e acessibilidade comprometida, o que gera muita dor de cabeça. Londrina conta pouco mais de 125 estradas rurais, entre pequenos e longos trechos, o que chega a 800 km. Desse total, mais de 80% não são pavimentadas.
Produtor rural em Guairacá, Alexandre Kikuchi comentou com tristeza a situação do distrito. "De momento, as estradas estão péssimas. A licitação para pavimentar a estrada foi suspensa e até lançar outra, vai até o final do ano", lamenta. Kikuchi disse que entende a demora da licitação, mas gostaria que ao menos as manutenções fossem feitas mais vezes. "É uma estrada movimentada e o município só se mexe em questão emergencial. Não adianta nada colocar pedras, como fizeram em alguns trechos críticos, se não fizeram a manutenção. Aí chove e fica pior do que antes. A gente fica indignado e começa a perder as esperanças com o poder público", resumiu.
O criador de aves Eloi Ferri, que tem uma granja no patrimônio Regina, conta que passou apertado na última chuvarada. Ele mora na estrada do Bulle. "Precisava chegar ração para os frangos. Com a chuva, os caminhões não vieram. Quando eles vêm, precisamos socorrer com um, até dois tratores, para eles chegarem até a granja", relatou. "A estrada rural é tudo. Tudo sai dela para a cidade. Se não tiver uma estrada bem cuidada, fica muito complicado", confessou.
Neste caso, a colocação de pedras (moledamento) na estrada do Bulle enfrenta mais um problema: a propriedade fica em uma zona de amortecimento, devido à mata dos Godoy. "Enviei a documentação que pediram à Secretaria de Agricultura em abril e depois recebi o comunicado de que a Sema não liberou o acesso às pedreiras por estar em área de preservação ambiental. Com isso, não podem cortar as pedras para moledar as estradas", explicou Ferri. A última obra grande, segundo ele, aconteceu há cerca de seis anos. "Deram uma arrumadinha, mas foi um serviço tão mal feito, que com dois anos já acabou a estrada. Estão prometendo que, de um jeito ou de outro vão arrumar. Mas passa um mês, dois meses, até anos, e continua do mesmo jeito", finalizou. (Edson Neves/NOSSODIA)
Falta tudo
O secretário de Agricultura, Alexandre Fujita, confirmou que a coisa está feia. "Devido a anos de gestões sem investimento", alegou, "é que temos poucas máquinas e funcionários. Hoje, são quatro caminhões rodando, dois do ano de 1994 e dois de 2010. O certo seria realizar manutenções preventivas e não corretivas. Com o que temos, é o que conseguimos fazer, trabalhar nos pontos mais críticos. Apenas isso, infelizmente", afirmou. (E.N).