Agentes da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) descobriram a causa da obstrução da rede de esgoto dos Jardins Perobal e Franciscato, na zona sul de Londrina. Como já era esperado pela companhia, o problema é causado pelas ligações clandestinas, que despejam vegetação, lixo domiciliar e gordura das residências e contribuem com o entupimento e o refluxo do esgoto nas vias dos bairros. A ação foi realizada na tarde de terça-feira e evidenciou a falta de conscientização de parte da comunidade.
Além das equipes especializadas na desobstrução e manutenção das redes, com o apoio do caminhão de sucção e lavagem, o gerente geral nordeste da Sanepar, Sérgio Bahls, acompanhou o trabalho e lamentou a situação dos dois bairros da zona sul. "Infelizmente, essa realidade não é peculiar desta região. Há irregularidades por toda a cidade. De acordo com um levantamento recente, Londrina tem 30% das ligações de esgoto com irregularidades", comenta ele. "Há anos a Sanepar realiza um trabalho de conscientização junto à população, com o objetivo de amenizar os danos. Além disso, repassamos os casos para o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Sema (Secretaria do Meio Ambiente) e Promotoria do Meio Ambiente, para que intercedam e apliquem as medidas necessárias. Uma vez que a Sanepar não possui poder de polícia para isso", salienta.
Na rua Inácio Arantes Borges, até um buraco foi aberto ao lado da tampa de estações. Desta forma, todo o lixo que desce pela via acaba nas galerias, colaborando com o bloqueio do sistema de abastecimento do esgoto. A água de minas e chuva também acaba dentro da rede. De acordo com os agentes da Companhia de Saneamento, o mesmo buraco já foi fechado várias vezes. A via possui uma rede paralela de esgoto, que é estreita. No local havia galhos, garrafas de plástico e outros tipos de lixo.
A rede de esgoto também não tem capacidade para suportar o grande volume de água gerado pelas chuvas. A Sanepar ressalta que o despejo de água pluvial não pode ser feito na rede de esgoto pelos domicílios. Outro problema é a ausência de caixas de gordura nas casas, grande responsável pela obstrução. Para cada caso, geralmente, a equipe de manutenção precisa interromper os seus serviços em outras partes da cidade e se deslocar até o local para desentupir a rede. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Falta de bueiro motiva ligação irregular
Algumas ruas do bairro são muito ingrimes, parte da água chega a invadir os imóveis. "Como o Perobal está em uma área inclinada, a água e a sujeira trazida pela chuva vai para dentro das moradias. Isso acontece também porque as ruas não possuem bueiros", ressalta o pedreiro Paulo Costa de Azevedo. Quando necessário, a Sanepar encaminha ofícios para Secretaria Municipal de Obras solicitando melhorias.
A força tarefa realizada nos Jardins Perobal e Franciscato ainda percorreu residências para identificar as supostas redes irregulares. Na tarde de terça-feira, os agentes ainda despejavam corantes, de cores variadas, para identificar o destino das ligações em desacordo na rede de esgoto. Pratica causada pelo próprio desconhecimento do tema por parte dos moradores. (P.M.)
Exemplo japonês
O gerente geral nordeste da Sanepar, Sérgio Bahls, relembra que em 2014 equipes de manutenção estiveram na cidade de Tókio, no Japão, para um intercambio. Segundo ele, os brasileiros questionaram sobre o número de atendimentos realizados pelas equipes japonesas para desobstruir o esgoto da cidade. Uma vez que em Londrina o trabalho é realizado pelo menos 200 vezes ao mês, além do trabalho de manutenção preventiva nas estações, que tem o mesmo número de atendimentos. "Os japoneses afirmaram que em 2014 ainda não havia atendido qualquer ocorrência para desobstruir a rede. Assim como em 2012. Um atendimento teria sido realizado em 2011", completa Bahls. Em Londrina, atualmente sete caminhões de sucção e lavagem (com jatos de água) são usados 24 horas por dia. (P.M.)