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FACE SUL

01 dez 2014 às 08:19

Bugatti ‘pé vermelho’ no Saltinho

Saída para Curitiba. Essa é uma referência bastante comum quando alguém se refere à Zona Sul, um dos extremos da Londrina que está chegando aos seus 80 anos. Uma região onde vivem ou trabalham - ou as duas coisas juntas – dezenas de milhares de londrinenses natos e de coração. É o caso de Adauto Alves Castro, 46 anos. Há quase três décadas, ele ganha o pão e tira o descanso no bairro Saltinho. O torneiro mecânico mora e trabalha na marginal da PR-445.
Depois de tanto tempo, ele garante já ter se acostumado com o ruido insensante do progresso (caminhões, ônibus, carros e motos) que invade portas e janelas. "Eu só percebo que existe silêncio quando vou lá pra dentro, quando entro pra almoçar ou vou pra outros lugares mais longes daqui. Eu já me acostumei mesmo e até estranho a falta de movimento", diz. Além de fazer e recuperar peças variadas, Adauto mantém sempre viva sua porção "Professor Pardal". E faz muito sucesso. Exemplo do seu gênio criativo

Sonhar só faz bem

As perspectivas da dona de casa Jandira da Silva Santos, 59 anos, são combustível para o dia a dia. Embora não seja londrinense, assim se sente. Ela mora na casa de número 80, igualzinho à idade que Londrina está prestes a completar.
Mas ela vai logo dizendo que tem muito orgulho de outros números em sua vida. "Moro aqui há 23 anos e só saio daqui quando morrer. O povo é bacana demais. Criei seis filhos homens e duas mulheres e ninguém tem passagem pela Polícia. É todo mundo trabalhador. O mais novo tem 17, nasceu aqui e é aprendiz de mecânico registrado", enfatiza.
Na rua dos Radialistas, que fica no União 3, dona Jandira passa a maior parte do dia. O netinho João Miguel, de apenas dois anos, é companhia pra toda hora pois desde que ficou viúva, há 12 anos, precisou parar de trabalhar para cuidar mais da própria saúde.
Mas que ninguém pense que os problemas na coluna, o diabetes ou a pressão alta impedem essa guerreira do União de batalhar pelo bem estar dos outros. "Fui cozinheira por 10 anos e ainda não consegui me aposentar. Hoje em dia me sinto muito gratificada em poder ajudar outras pessoas. Sou ministra da Eucaristia, visito doentes e isso me deixa mais feliz, faz bem e ajuda em minha recuperação", garante.
No fim de semana, com muita insistência, os filhos conseguem levar dona Jandira para alguns passeios. Ela conta, como exemplo, que recentemente realizou um grande sonho que era conhecer as Cataratas de Foz do Iguaçu. "Já fui três vezes para Aparecida do Norte e fiquei muito feliz. Isso me deixa renovada", agradece. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)

Lugar de pequenos e grandes sonhos

Assim como o bairro do Cafezal, que de grão em grão se multiplicou em quatro e hoje ostenta até o Alto do Cafezal, a Zona Sul cresceu e seus moradores comemoram cada conquista. Quem frequenta a feira da avenida Presidente Eurico Gaspar Dutra, no Cafezal I, sabe bem disso. A merendeira Maria José Cruz, 60 anos, mora no bairro há 30 anos, e diz que quem chegam não quer ir embora dali. "Aqui é um lugar tranquilo. No começo, não tinha nada e hoje a gente tem tudo aqui no bairro. Até feira!"
Mas nem só de feiras é feita a Zona Sul, que abraça o Jardim Cristal, o Franciscato, o Parque Guanabara, o Jardim Inglaterra, Neman Sahyun, Piza, Ouro Branco, Parque das Indústrias, Saltinho, Santa Joana, Tucanos, União da Vitória e Vivendas do Arvoredo, só para citar alguns. Além do povo, acolhedor e sempre pronto a ajudar, é na Zona Sul que ficam alguns dos órgãos públicos mais importantes da cidade.
Na marginal da PR-445 – que está sendo duplicada e gerando ainda mais desenvolvimento para região - ficam os campi das universidades Unopar e Pitágoras e o Catuaí Shopping, o mais importante de todo o interior do Estado. Na mesma via fica o quartel do 5º Batalhão da Polícia Militar e o Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar). Por ali estão ainda as principais unidades prisionais do Norte do Paraná.
A Zona Sul também abriga as grandes e mais importantes áreas verdes de Londrina. Na avenida 10 de Dezembro fica o Parque Arthur Thomas. Atrás do Vivendas do Arvoredo está o Jardim Botânico. Mas o mais famoso deles e cartão-postal da cidade é o complexo de lagos Igapó que, mesmo judiado e poluído, ainda causa boa impressão.
Os lagos servem de moldura para as torres verticais, cada vez mais modernas, que não param de subir na Gleba Palhano e arredores. E falando em alto padrão não podemos esquecer também que é na Zona Sul, seguindo em direção aos patrimônios e distritos, que ficam os luxuosos condomínios fechados e suas mansões de encher os olhos.
Por tudo isso, a Zona Sul de Londrina é um espaço onde a cidade se aproxima mais de seus grandes contrastes sociais. Mas é também um lugar de sonhos – pequenos e enormes, individuais e coletivos -, que de alguma forma convergem para uma convivência cada vez mais em sintonia. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)


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