Tite assume o comando da seleção brasileira de futebol com plenos poderes. Ao aceitar o convite da CBF, na quarta-feira, o treinador leva junto a sua comissão técnica e um homem de sua confiança, o ex-gerente de futebol do Corinthians Edu Gaspar. Além disso, ficou definido que ele não comandará a seleção olímpica no Rio, em agosto.
Todas essas solicitações foram discutidas na noite da última terça-feira, em reunião que durou mais de 3 horas na sede da CBF. Na quarta, ele disse seu "sim" ao presidente Marco Polo Del Nero e já não dirige mais o Corinthians, encerrando outro ciclo vitorioso como treinador.
A confirmação de que ele aceitou o convite foi feita na tarde de quarta-feira por um enfurecido presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, desgostoso com a maneira que, segundo ele, a CBF tratou o clube. "Não recebi nenhum telefonema. Merecíamos um pouco mais de respeito. Hoje (quarta) ele (Del Nero) tentou falar comigo depois de tudo resolvido", disse o dirigente. "O Tite merece a seleção, mas a CBF não merece uma pessoa como o Tite".
Acompanharão Tite o auxiliar técnico Cleber Xavier, seu filho e também auxiliar, Matheus Bacchi, e o gerente de futebol Edu Gaspar, que ocupará um cargo semelhante ao que pertencia Gilmar Rinaldi, demitido junto com Dunga depois do fiasco da seleção na Copa América Centenário, nos Estados Unidos.
O desafio de Tite é imenso e ele assume um Brasil em crise. A seleção ocupa a incômoda sexta posição nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, fora da classificação para o Mundial na Rússia. A próxima rodada das Eliminatórias será em setembro. Os jogos serão contra Equador (dia 2, fora) e Colômbia (dia 6, em Manaus).
Caberá ao agora treinador colocar o Brasil na zona de classificação da Copa e principalmente recuperar o futebol da seleção, cuja imagem está arranhada desde os 7 a 1 para Alemanha Tite tentará dar um padrão tático ao time e acabar (ou ao menos diminuir) a dependência da equipe de Neymar. A seu favor está o fato de ele ter apoio popular e considerado o melhor técnico do Brasil, graças aos títulos que ele acumulou nos últimos no Corinthians, como a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2012. (A.E.)