Esta é uma história que envolve cumplicidade, amizade e dedicação. Eduardo Luis Sabbadini, de 38 anos, e Paulo Alexandre Tozzi, de 23 anos, têm Síndrome de Down e são alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Cambé. E não imaginavam se tornar atletas profissionais até conhecerem o professor Rodolfo Lara Moscardi, que mudou a trajetória deles.
Lá se vão 14 anos desde que ele pisou na Apae de Cambé pela primeira vez. E nessa trajetória, um trabalho lhe enche de orgulho. Foi ele quem encaminhou os dois ao atletismo e criou uma relação de amizade ímpar com os atletas. "Além de técnico, acabo sendo um pouco pai e mãe deles também. Como a gente viaja muito para as competições, participo demais da vida deles e gosto bastante desses momentos, pois acabo aprendendo também", conta.
Há duas semanas, em Florença, na Itália, eles disputaram pela primeira vez o Mundial para Síndrome de Down, o Trisome Games. E entre atletas de 34 países, os cambeenses brilharam. Eduardo foi ouro no lançamento do disco, prata no arremesso de peso e bronze no salto em distância e no lançamento de dardo. E Paulo conseguiu dois bronzes nos revezamentos 4x100 metros e 4x400, integrando a seleção brasileira.
"Os dois foram muito bem, um desempenho melhor até do que a gente esperava, pois o nível foi muito alto. Os países da Europa estão muito a frente de nós na parte de preparação específica", analisa o professor. "Estou muito feliz com os resultados", resume Eduardo, que também já faturou sete títulos brasileiros somando todas as modalidades que disputa.
Graças ao atletismo hoje a dupla conseguiu a profissionalização, algo que faz bem a autoestima e se torna um incentivo diário. "A questão principal é a profissionalização pelo esporte, até o ano passado eles recebiam bolsa para ajudar a custear os treinos e viagens. E têm de manter os bons resultados para continuar tendo a bolsa", destaca o professor. A bolsa foi suspensa em 2016 por falta de recursos do governo estadual.
Segundo o professor, a prática esportiva é importante para as pessoas com Síndrome de Down, pois eles possuem menor tonicidade muscular e muitos apresentam complicações respiratórias. "Eles também têm acúmulo de gordura nas extremidades, mas os meus estão em boa forma, graças ao esporte. Melhora a condição de vida deles", brinca Rodolfo.
Paulo diz que o esporte mudou a vida dele. "Para mim, esporte é vida, é meu futuro. Gosto muito de treinar, quero ficar fortão. Também faço academia", projeta o atleta. (Rafael Souza/Grupo Folha)