Longe de se conformar com a qualidade dos serviços destinados a praças e áreas verdes, o londrinense faz fotos, reclamações e chama o jornal para ver de perto o motivo do descontentamento com muitas praças administradas pelo poder público na cidade. A disparidade em relação às áreas que são cuidadas pela iniciativa privada ou mesmo pela comunidade é muito grande. O NOSSODIA foi no rastro da sujeira e também encontrou exemplos de áreas em que a sociedade arregaçou as mangas e tomou para si a responsabilidade de cuidar de seu entorno.
Exemplo de administração, organização e asseio. Em Londrina, há praças assim, de encher os olhos. Um exemplo é a Pé Vermelho, na Rua Jerusalém, na Gleba Palhano, entre as ruas Ernani Lacerda de Athayde e João Huss. Moradora de um dos edifícios no entorno da praça, a arquiteta Fernanda Jacob também integra a Associação Alto da Palhano e desde 2012 um grupo de moradores investe em segurança, manutenção e limpeza da área. Ao todo, cinco condomínios participam do rateio. Para Jacob, além de espaço de convivência, a praça é local de passeios, contemplação e cenário para books de noivos e aniversariantes. "É uma praça diferenciada, sem elementos quebrados, o lixo é recolhido e, da forma como é cuidada, contribui para a valorização de todo o entorno. Para nós, é motivo de entusiasmo porque a praça é uma extensão dos condomínios e um incentivo à convivência", destaca.
Para quem se inspirou e quer tomar iniciativa, Jacob fala com propriedade: "É preciso ter um foco, fazer uma estruturação, orçamentos e se apropriar do espaço, sentir-se parte dele. Não se pode depender só do poder público", enfatiza. Na Associação Alto da Palhano, as reuniões são mensais. "Discutimos pontos importantes, avaliamos balancetes, ideias e sugestões. A união e o empenho de cada um fazem a diferença".

Márcia Peres: "Precisamos deixar heranças por onde vivemos. Heranças boas, nem sempre são dinheiro, mas boa vontade."
No conjunto do Café, zona leste, há uma pracinha que muita gente gostaria de chamar de sua - seja pelo aconchego e beleza das orquídeas e palmeiras, a praça altera a paisagem e a educadora física e personal trainer Marcia Peres, se orgulha do espaço. Ela mora em um das casas do entorno há 40 anos, nasceu ali e graças ao carinho que tem pelo espaço, tomou a inciativa de deixá-lo ainda mais bonito e preservado. "O lugar onde vivemos tem que ser o melhor possível e isto é a gente que faz". Mas nem sempre foi assim na praça, que fica entre as ruas Palheta e Maria do Rosário Castaldi. "Incomodava-me ver a praça cheia de mato, alguns jogavam galhos de árvore, lixo. Resolvi dar um basta. Avisei todos que eu adotei a praça e dali por diante ninguém a ofenderia. Os vizinhos hoje protegem a praça como eu", ensina. "Ouço o canto dos pássaros e vejo a natureza dizendo: bom dia!", encanta-se. Para dar conta do recado, Márcia assumiu para si a despesa. "Fiz um planejamento do plantio de grama para estar tudo pronto em 10 meses e tem também as despesas com adubos e podas, que sempre tem que fazer. Quando houver lugares agradáveis, iluminados, as pessoas hão de reunir-se mais, as crianças vão brincar mais umas com as outras, haverá menos doenças, menos violência."(W.V.)