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ESCURIDÃO E MEDO - A dura vida na selva

Paulo Monteiro
NOSSODIA
17 nov 2015 às 08:39

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Paulo Monteiro
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"A vida deixou de ser tranquila há um bom tempo", afirma a comerciante Célia Rodrigues Roncarati ao falar da rotina no Patrimônio Selva, Zona Sul, a 12 km de Londrina. Ela conta que, apesar da comunidade possuir cerca de 300 habitantes, a sensação de insegurança é de cidade grande. Transmitida, segundo Célia, principalmente pela falta de iluminação.
Seja na praça, nas ruas, na quadra de esportes ou em volta da Capela Santo Antônio, a escuridão coloca a vida de todos em risco, destacam os próprios moradores, que cobram urgentemente por melhorias. "As luzes estão queimadas nestes postes há uns quatro meses", conta Célia, que possui uma mercearia na Rodovia João Costa Melchieds. "Nosso comércio fica aberto das 7h até as 21 horas. Trabalhamos em alerta durante todo esse tempo, mas quando a noite chega, por causa da falta de luz, o medo de assalto é muito", acrescenta ela.
De acordo com Célia, o problema tem atraído ao distrito a presença da bandidagem. "Inclusive, tivemos a nossa residência furtada na madrugada do último domingo (8). Temos câmeras de segurança em nosso terreno, mas, por causa da escuridão, elas não conseguiram captar com precisão a ação dos ladrões. Mesmo com o muro em volta bem alto, a escuridão incentivou eles a cometer o crime. Por ‘sorte’, só nos roubaram ferramentas", relata a comerciante. "Na época da Copel era diferente. Tínhamos um atendimento melhor. Hoje, os moradores ligam pedindo a troca de lâmpadas e não são atendidos." A Sercomtel Iluminação assumiu oficialmente, a partir de janeiro deste ano, os serviços de manutenção da iluminação pública de Londrina, substituindo a Copel, que executava as atividades.
"Os roubos em chácaras também são frequentes. O escuro é ‘demais da conta’. Pago R$ 20 de taxa de iluminação pública e não tenho este serviço. Não há manutenção em nossa rede elétrica. As lâmpadas queimam e não são trocadas", ressalta ele. "Não saímos mais de casa à noite por isso. A bandidagem tomou conta das ruas", diz o morador Rogério Dutra.
O agricultor Ivan Souza mostra que os fios de energia elétrica localizados na praça do distrito estão velhos e arrebentados. Alguns cabos estão pendurados e soltos nos postos. "Isso mostra a falta de manutenção. Olha o estrago nesta caixa de fios", mostra ele a situação na praça localizada na Rua Reinaldo Benis, único ponto de encontro dos moradores. "Nossa praça não pode mais ser frequentada depois que anoitece. O homem trabalha o dia todo e não pode ir à praça conversar com o vizinho durante a noite", lamenta. "Há muitos postes, mas as luzes estão queimadas. A escuridão também se repete nas ruas e na quadra de esporte", reforça Souza.

‘Pedimos mais policiamento’
Além da ausência da iluminação pública, a comerciante Célia Rodrigues Roncarati destaca que a sensação de insegurança se dá pelo desaparecimento das viaturas da Polícia Militar. "Pedimos também por mais policiamento, principalmente à noite, antes que aconteça o pior. Antigamente, os policiais passavam até duas vezes por dia, estacionavam a viatura aqui em frente e ficavam um pouquinho. Atualmente, ficam até dias sem aparecer", afirma Célia. (P.M.)


Troca de lâmpadas
O diretor operacional da Sercomtel Iluminação, Tiago Caetano, assegurou ao NOSSODIA que uma equipe de atendimento viário iria no início desta semana avaliar a situação e realizar as trocas de lâmpadas queimadas das vias no Patrimônio Selva. Porém, em relação ao problema da praça, informou que a manutenção não deve ocorrer em breve, pois o cronograma de atendimento em Londrina é extenso, complexo e exige o trabalho de um grupo especializado. Caetano ressaltou que ainda não havia protocolos sobre pedidos de trocas de lâmpadas referentes ao Selva. (P.M.)

PM promete aumentar patrulhamento
Porta-voz do 5° Batalhão de Polícia Militar, o capitão Marcos Tordoro informa que a Patrulha Rural realiza o policiamento em aproximadamente 10 distritos de Londrina, no município de Tamarana, além de todas as estradas rurais da região. São várias equipes de policiais, divididas em turnos. A distância diária percorrida por uma viatura da Patrulha Rural passa dos 100 km, ressalta Tordoro. "A sensação de insegurança é compreensível e procuraremos aumentar o patrulhamento no Patrimônio Selva. A falta de iluminação é um problema em todos os distritos e favorece com esta sensação. Mas, por causa da distância, pode ser que uma viatura passe duas, como não chegue a passar em um dia. Contamos com a presença da Guarda Municipal, que atende nos distritos, para nos auxiliar na proteção das comunidades", completou o capitão. (P.M.)


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