Enxugar gastos foi o que a zeladora Luciene Ribeiro de Souza, 42 anos, decidiu fazer. "Ainda assim, estou meio embaraçada." Moradora de Guaravera, a zeladora explica que em sua casa são cinco pessoas, sendo que a filha está desempregada. "E meu marido só tem pego bicos. Então deixei muita coisa de lado pelo risco de faltar para comida. É o básico do básico porque o salário ficou para aluguel, água e luz e com o vale alimentação faço compra", afirma. O representante comercial C.O, 53 anos, só namora as vitrines e quando o assunto é contas a pagar é enfático: "Só à vista. Perdi até meu casamento por causa de dívida e aprendi a lição. Acho que também que em nosso país não dá para confiar nos planos e agora a realidade é essa: está cada um voltando para seu devido lugar. Acabou a ostentação. Acabou a falsa alegria de quem desfila com carro zero, TV 42 polegadas", ressente-se. A crediarista Regiane Rodrigues, 29 anos também é do time que prefere juntar e pagar à vista. "Acredito que essa retração seja consequência. Eu mesma, no ano passado, sabia que a empresa onde estava ia fechar e com três meses de antecedência mudei meu comportamento. Em dezembro, quando a empresa fechou eu não me desesperei e graças a Deus consegui me reposicionar, mas sei que está difícil. Tem muita gente desempregada, devendo na praça e com nome sujo", afirma. (W.V.)