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Encara? Trampo no estrangeiro

19 out 2015 às 09:51


Viajar, aprender outro idioma, ganhar uma grana. Experiências que enriquecem o currículo e a vida pessoal, aliadas à chance de melhores ganhos salariais. Quem ao menos um dia, não considerou a possibilidade de trabalhar fora do País?
O Guia Salarial Hays Insper 2014/15 sobre Tendências e Direcionamentos na Gestão das Carreiras, entrevistou 8.500 profissionais brasileiros e 70% respondeu que consideraria uma oportunidade para atuar fora do País. Em 2013, esse resultado foi de 62,55%.
Outra revelação é dada pela Pesquisa dos Profissionais Brasileiros 2014, da Catho, que ouviu 26.459 respondentes e apontou que 75% aceitaria mudar para o exterior por conta de uma proposta profissional.
Luís Fernando Martins, diretor da Hays, afirma que há uma grande tendência do brasileiro buscar experiência internacional, mas reforça que as maiores chances estão com os profissionais já empregados.
"Tem ocorrido com mais frequência, por exemplo, estar dentro de uma multinacional e ter uma oportunidade de desenvolvimento fora do Brasil, principalmente em cadeiras gerenciais para cima", diz.
No contrário, caso o indivíduo esteja desempregado, Martins justifica as dificuldades. "O custo de contratação de uma pessoa em outro país, como visto de trabalho entre outras documentações, é alto e de uma maneira geral, as companhias não acabam arcando com isso para ter um novo profissional", afirma.
Mas há um caminho onde os brasileiros, incluindo aqueles que estão desempregados, podem seguir. Segundo Martins, vale buscar oportunidades através de um programa educacional.
"Vá primeiro com um visto de estudante, faça algum curso de especialização e avalie se há a possibilidade de aliar os estudos com alguma atuação profissional, mesmo que seja um estágio. Isso vai facilitar a oportunidade de trabalho", comenta.
Ao analisar a representatividade do profissional brasileiro fora do País, Martins revela que somos muito valorizados por conta do ritmo de trabalho. "O brasileiro está acostumado a trabalhar longas jornadas", aponta.
Otávio Granha, gerente de operações da Wyser Brasil, que identifica e seleciona profissionais especialistas e gerenciais, também compartilha da mesma opinião, ressaltando que o brasileiro é muito determinado e que as empresas estão de olho nisso, especialmente na Europa e Estados Unidos.

VIVÊNCIA TRANSFORMADORA
Olhar para o próprio negócio hoje, provoca uma certa nostalgia ao londrinense Fábio Lucas Santos, de 35 anos. Ele é sócio-proprietário de um pub no estilo irlandês em Londrina, que surgiu da experiência dos dois anos vividos em Dublin. Santos é um exemplo entre os milhares de brasileiros que se aventuram por terras estrangeiras.
Ele saiu do Brasil em 2007 com um visto de estudante que o permitiu trabalhar nas horas livres. A prática na área de alimentação o ajudou a conseguir um emprego em um restaurante e Fábio chegou até a dar algumas aulas de culinária a convite de uma chefe de cozinha de renome no país.
Seis anos se passaram, mas a experiência profissional que se concretizou em uma negócio próprio, não é a única comemoração de Santos. "Essa vivência me transformou. Só quem passa por isso sabe o quanto é importante para o crescimento pessoal e profissional", conta. (M.O.)

ADAPTAÇÃO
"Existe um choque cultural e dentro dele, uma curva de adaptação. Isso significa que os primeiros seis meses são os mais difíceis. Mas a dica é aguentar firme porque depois as coisas começam a melhorar", sustenta Mariana Barros, consultora intercultural e sócia-diretora da Differänce, que oferece treinamento intercultural para expatriados, ou seja, aqueles profissionais que estão contratados e já têm visto de trabalho para determinado país.
Ela detalha ainda que o choque cultural está, muitas vezes, ligado ao problema de comunicação. "É importante saber que o brasileiro tem um estilo de comunicação considerado complexo. Quer dizer que não sabemos falar não, falamos em rodeios e poucas vezes dizemos o que de fato estamos pensando. Então, isso pode ser mal compreendido por outras culturas", conclui. (M.O.)


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