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EM LONDRINA - HU realiza cirurgia inédita pelo SUS

Micaela Orikasa
Grupo Folha
09 abr 2017 às 23:20

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Roberto Custódio
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Um mês após ter se submetido a uma cirurgia no coração, a dona de casa Ester Luciano de Oliveira, de 74 anos, voltou ao Hospital Universitário (HU) de Londrina para a realização de exames e colocação de holter para monitorar os batimentos cardíacos em um período de 24 horas. Ester, que sofria de arritmia cardíaca há 11 anos, segue em repouso em casa, mas conta que já está se sentindo bem melhor. "Fazia tempo que não tinha saúde. Eu sentia muita fraqueza, falta de ar, o coração disparava e eu não conseguia nem me alimentar. Agora, o coração não está mais disparando e, aos poucos, estou conseguindo fazer algumas coisas de casa", comenta.
Mãe de oito filhos e moradora de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), Ester conta que muitas vezes ficou internada por conta do mal-estar. "O remédio não estava mais fazendo efeito e foi então que meu médico me pediu para procurar o doutor Cézar, que me falou sobre a nova técnica. Não vi nada, dormi durante toda a cirurgia", conta.
Assim como Ester, 5% da população acima de 65 anos apresentam essa arritmia chamada fibrilação atrial. Ela é bastante incômoda, pois os sintomas envolvem palpitação, falta de ar, dor no peito e tontura. A dona de casa foi a primeira paciente do HU a realizar o procedimento inédito para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A cirurgia de Ablação Sequencial por Cateter de Fibrilação Atrial com cateter circular (PVAC) até então havia sido realizada somente em pacientes da rede privada, em Curitiba. "No restante do País, os registros são restritos", aponta o cardiologista Cézar Eumann Mesas, do setor de Eletrofisiologia Clínica do HU.
O especialista em Londrina explica que, para essa arritmia, as drogas antiarrítmicas não costumam ser muito eficazes, controlando a anomalia apenas em um terço dos pacientes. "E, muitas vezes, mesmo os medicamentos tendo alguma eficácia, há uma série de limitações pelos efeitos colaterais. Os mais usados, por exemplo, podem afetar a função da glândula tireoide ou mesmo os pulmões, o que inviabiliza a prescrição de doses adequadas", salienta.
E justamente esses pacientes que não estão tendo benefícios com a medicação podem se beneficiar com a nova técnica.

Cirurgia dispensa anestesia geral
Mesas explica que a inovação tecnológica simplificou o procedimento, reduzindo o tempo cirúrgico para aproximadamente uma hora e demandando apenas uma sedação e não mais a anestesia geral. Segundo o cardiologista, na cirurgia de ablação tradicional é preciso acessar uma câmara específica do lado esquerdo do coração e fazer uma série de pequenas cauterizações com a ponta de um cateter. "É uma coisa pontual, milimétrica, muito trabalhosa e demorada (entre quatro e cinco horas), expondo o paciente a riscos e à radiação, pois também usamos o Raio-x. Fora que há um desgaste enorme para a equipe que faz o procedimento", afirma.
Já na nova técnica, ao invés de ser ponto a ponto, um cateter circular com várias peças de metal é introduzido nessa câmara e, com a aplicação de uma energia eletromagnética em cada uma delas, é possível fazer uma cauterização sequencial. "Não preciso mais ficar navegando com todas as limitações de precisão do procedimento tradicional", completa o especialista.
Além disso, para acessar a câmara basta uma única perfuração na membrana que divide o coração. "No método usual, realizamos duas perfurações e, embora seja um procedimento de rotina, sempre envolve alguns pequenos riscos", afirma. (M.O.)


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