O trabalho da Companhia de Polícia de Choque em Londrina, que funciona no 5º Batalhão de Polícia Militar, foi reduzido recentemente. De oito policiais que integravam a equipe, restam quatro. Os demais foram realocados em outros setores da corporação. A companhia contava com 12 cachorros, porém cinco foram doados. O Choque Canil na cidade tem as funções de localizar pessoas desaparecidas em ambiente urbano ou rural, encontrar drogas, armas, atuar em operações em rodovias e outros ambientes, dar apoio a viaturas e fazer apresentações em escolas.
Dos sete animais que ficaram, quatro estão em algum estágio de treinamento para exercer um tipo habilidade, sendo dois filhotes. "Eram cães que não estávamos utilizando, pois não tinham apresentado o desenvolvimento necessário para a função. A nossa instalação está bem deficitária e, conforme vamos terminando ou tendo condições de transportar mais animais para o canil, consequentemente, vai aumentar o efetivo de policiais e o número de cães", justifica o tenente Marcos Paulo Rodrigues, comandante do Choque Canil.
A subunidade da PM atende, além de Londrina, cidades da região Norte que integram o 2ª Comando. Com quatro policiais a menos, o trabalho diário de pelo menos seis horas, foi alterado e, agora, a equipe só sai quando acionada para dar apoio. Em caso de chamado no período noturno, quando os policiais não estão mais em horário de trabalho, eles precisam comparecer ao acionamento e compensam as horas a mais posteriormente. Rodrigues garante que a redução do efetivo e da atuação do canil não vão prejudicar a comunidade. Ele também nega que o Choque Canil será encerrado no município. "Nós modificamos toda a forma do canil trabalhar. Da forma que está agora, estamos com o efetivo trabalhando de segunda a sexta, apenas no treinamento de cães e em apoio quando são acionados pelos policiais na rua", defende Rodrigues.
ESTRUTURA
A estrutura do canil está em obras há seis anos e ainda falta mais da metade para ser finalizada. O dinheiro e materiais para construção vêm sendo arrecadados por meio de doações. "Fizemos a estrutura em volta, porém, por vários motivos, como falta de verba e os terremotos que aconteceram neste intervalo, a estrutura foi comprometida e a obra ficou embargada até pouco tempo", diz, acrescentando que, retomarão as obras em abril. Os espaços em que os cães ficam são os mesmos de 1976, quando foi autorizado o Choque Canil em Londrina, e não apresentam as condições adequadas. Além de terem o suporte de telhado de madeira, o que colabora para o aparecimento de carrapatos e doenças de pele, as baias têm as grades para o lado onde as pessoas transitam, gerando estresse aos animais.
Apesar do retorno, a construção segue a passos lentos e é feita por dois militares com noções de construção. A ideia é que o local tenha alojamentos, cozinha, ambulatório, sala para guardar documentos, depósito e as baias dos cães sejam reestruturadas. (P.M.)
‘Aposentados’ aos sete anos
Os animais do canil da Polícia Militar têm idade indicada para começo e término do desempenho das funções. A soldado Edneia Longas, um dos quatro policiais que trabalham no Canil Choque do 5ª Batalhão de Londrina, explica que a idade correta, e máxima, para que os animais sejam adquiridos à corporação é de 45 dias de vida. "Dependendo do cão, se é mais velho dá até para pegar, porém precisa já ter uma socialização, e não é todo o animal que serve. Não é algo simples", destaca. Quando apanhados filhotes, os cachorros recebem as vacinas e costumam ficar até os três meses nas casas dos policiais, já que o batalhão não dispõe de maternidade. "O tempo de treinamento varia muito de cão para cão e de qual habilidade queremos que ele desenvolva. Os treinamentos de guarda e proteção, por exemplo, podem começar a partir dos dois anos de idade, quando termina a troca dos dentes e podemos fazer qualquer tipo de mordida com ele que não há perigo de haver trauma no dente", cita Longas. Segundo o tenente Marcos Paulo Rodrigues, responsável pelo Choque Canil de Londrina, os cães desempenham a função até os sete anos, seja de trabalho ou idade, quando são "aposentados". "Quando acontece a aposentadoria, o cão é levado para Curitiba para leilão. Caso ninguém queira, o policial que fazia a condução pode levar para casa. Se ele não quiser, a doação é aberta ao público" explica ele, que também responde pelo Choque Motos e Pelotão Alfa do Choque Viaturas. "O cão ajuda e agiliza o trabalho, colabora na interação com a comunidade. Um cachorro faz o serviço de muitos homens, por isso o canil é de extrema importância", acrescenta. O canil de Londrina tem raças como Pastor Belga Mallinois, para o faro de entorpecentes, e o Bloodhound para a busca de pessoas, já que é um cão de caça. (P.M.)