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Em busca do ouro olímpico - COM BRAÇOS DE ‘AÇO’

02 mai 2016 às 11:17


Ela não é a "mulher maravilha", mas pode ser considerada uma heroína. Afinal, possui superpoderes e braços de aço, capazes de levantar muito mais de 100 kg. Marcia Manezes, que sempre foi motivo de orgulho e exemplo de superação para Londrina, terá a missão de reacender a esperança no coração dos incrédulos brasileiros. A para-atleta competirá na categoria até 86 kg dos jogos Paralímpicos do Rio, onde espera estar com as cores verde, amarelo, azul e branco no ponto mais alto do pódio.
Marcia teve poliomielite ainda na infância, quando perdeu os movimentos da perna direita e encontrou no esporte uma forma de superar os limites físicos. Atleta de halterofilismo há quase uma década, a londrinense de 47 anos ajusta os detalhes nos treinamentos para garantir a medalha dourada. "Está forte, treinos diários e foco total. São treinos de segunda a sexta-feira, das 9 horas ao meio-dia. Alternando treinos técnicos e acessórios", conta ela durante o intervalo da preparação.
A oportunidade de participar da maior celebração dos esportes surgiu após Marcia levantar 116 kg, garantindo a medalha de prata e a vaga para o Rio. "Optamos pela categoria 86 kg. Também tinha índice para disputar a categoria até 79 kg, mas na 86 kg a chance de brigar pelo pódio é maior. Existe toda uma estratégia feita pelo meu técnico (Valdecir Lopes) e estou treinando muito para brigar pelo pódio."
Desde 2014, Marcia integra a Seleção Brasileira de Halterofilismo. Os treinamentos ocorrem em Itu (SP), no Centro Brasileiro de Referência da modalidade. O convite chegou após ela conquistar o bronze no Campeonato Aberto da Hungria e no Mundial de Dubai, ambos em 2014. A londrinense foi a primeira medalhista brasileira na competição.
Capítulos de superação que parecem sair de uma revista em quadrinhos, porém Marcia é personagem das histórias reais do Cincão (Cinco Conjuntos). Sem deixar a origem de lado, a para-atleta fez uma rápida visita ao Conjunto Violin, zona norte de Londrina, para rever o filho, a mãe e os amigos na última semana.

Sonho, emoção, pressão de competir em ‘casa’
Esta não será a primeira Paralimpíada que ela participa. Há quatro anos, representou o Brasil em Londres. "A primeira participação foi um sonho, a segunda já tem um gosto de realidade. Foco no objetivo", explicou a halterofilista. "Todas as competições são importantes e nessa vou ficar mais concentrada do que nas outras, pois tenho uma missão a cumprir. Vou cada vez me dedicar mais para ter um bom resultado", assegura Marcia. Já sobre a possibilidade de trazer uma medalha para Londrina... "O que posso prometer é que vou brigar e lutar muito pelo pódio", devolve a competidora.
Marcia menciona também os países mais fortes, a serem superados na competição. "Nigéria, Egito e China são os países mais fortes na minha categoria. Mas quando estou competindo, vejo a barra (de peso) como a minha maior adversária. Coloco toda a raiva para não permitir que ela me vença", destaca.
Além de brilhar em eventos no Brasil, a paratleta possui currículo internacional vitorioso. Ela foi quinto lugar no Parapan de Guadalajara (México), em 2011, sexto na Paralimpíada de Londres (Inglaterra), em 2012, bronze no Mundial de Dubai, em 2014. Marcia foi recordista brasileira e das Américas, após levantar 116 kg na barra em 2014. O histórico aponta a plena evolução da halterofilista, forte candidata a medalha no Rio. (P.M.)

Bombando na Globo
Além de se destacar no esporte, Marcia também é muito carismática e não encontra dificuldades para fazer amigos. Em março deste ano, ficou mais famosa ao participar do programa Encontro, da Globo, que reuniu atletas paralímpicos nos estúdios da emissora. Aproveitando a oportunidade, ela tirou inúmeras fotos ao lado das celebridades. Fotos que bombaram na sua página do Facebook. Durante a visita, Marcia ainda almoçou com a apresentadora Ana Maria Braga, porém sem o louro José.
"Fui convidada para participar do programa em parceria com o Comitê Paralímpico. Conheci pessoalmente a apresentadora Ana Maria Braga e vários outros artistas e ex-atletas. Mas tive um contato maior com ela, Ana, que sentou na nossa mesa durante o almoço. Fiquei ao lado dela e foi uma honra enorme", relembra a paratleta. "Conversamos muito. Ela é uma pessoa iluminada e simpática. Eu já era fã, agora sou ainda mais." (P.M.)


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