Professores da rede estadual de ensino, docentes e funcionários das universidades paranaenses e policiais civis deflagram nesta segunda-feira greve contra a proposta do governador Beto Richa (PSDB) de revogar a data-base do funcionalismo estadual. O movimento chega ao mesmo tempo em que avançam as ocupações de escolas por todo o Estado, em protesto contra ações do governo federal e ao sucateamento do ensino público.
A paralisação do funcionalismo é uma reação à emenda à Lei Orçamentária Anual (LOA), enviada pelo governador à Assembleia Legislativa na véspera da eleição municipal, na qual suspende, por tempo indeterminado, a data-base do funcionalismo. Diante da iminência da greve, o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), pediu a suspensão da tramitação do texto, mas as categorias exigem a retirada da proposta em definitivo. Uma reunião com representantes dos sindicatos foi marcada para a quarta-feira com Rossoni.
Pelo menos metade dos professores da rede estadual de ensino deve cruzar os braços a partir desta segunda, de acordo com a secretária de finanças da APP-Sindicato e coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes. "É greve por tempo indeterminado, mas esperamos que acabe o mais rápido possível, assim que o governador nos atender", afirma.
Além do arquivamento da emenda à LOA, os servidores exigem o pagamento do salário mínimo regional para merendeiras e auxiliares de serviços gerais, o pagamento de promoções em atraso e o reajuste do auxílio-transporte para professores contratados em processos seletivos simplificados.
Na UEL
Os servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciam o movimento com um ato no Restaurante Universitário (RU), às 8h. "Vamos iniciar dali e passar por todos os setores, convidando quem não aderiu à greve que se una a nós", afirma Marcelo Alves Seabra, da Assuel, que representa a categoria.
No caso do Hospital Universitário, a paralisação vai avançar paulatinamente e a categoria pede à população que só procure a unidade em casos de urgência ou emergência. No Hospital das Clínicas (HC), os servidores decidiram manter o atendimento esta semana para trabalho de orientação, mas a paralisação está marcada para o dia 24.
Os docentes da UEL paralisam por três dias e um cronograma de atividades será montado nesta segunda, conforme o presidente do Sindiprol/Aduel, Renato Lima Barbosa. Além da reunião na quarta-feira, o governo marcou reunião na tarde desta segunda-feira somente com as categorias vinculadas ao ensino superior.
Para Lima, é uma tentativa de simular um diálogo, mas ele não acredita que haja avanços. "O governo inverteu a ordem das coisas. Sem diálogo, enviou as emendas para a Assembleia Legislativa (AL) porque pensou que iria aprovar passando por cima de todos. E não temos expectativa de que vá abrir as contas públicas para mostrar o que ele elege como prioridade para revogar a data-base", diz.
A greve dos policiais civis também é por tempo indeterminado, segundo o presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região). De acordo com ele, a entidade passou pelas cidades para angariar apoio e em apenas um município não houve adesão. "Apesar de contarmos com praticamente 100% de apoio, vamos manter o efetivo mínimo de 30% para atendimentos de casos de extrema urgência, flagrantes e locais de morte", explica. A assessoria de imprensa do Palácio do Iguaçu afirma que a suspensão da tramitação das emendas e a convocação de reunião para depois de amanhã são mostras de que o governo tem a intenção de dialogar para buscar um consenso e, por isso, espera que as paralisações não ocorram. (L.F.W.)
Governo antecipa recesso em escolas ocupadas
Com poucas decisões judiciais de reintegração de posse favoráveis ao Estado, o governo do Paraná decidiu decretar recesso escolar para as escolas ocupadas nesta semana e pretende envolver professores, funcionários, Ministério Público, Conselhos Tutelares e Poder Judiciário em relação aos menores de idade que permanecem nas escolas. A antecipação do recesso foi decidida domingo, em reunião convocada pelo secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), para discutir o tema. Com isso, professores e funcionários, que entrariam em recesso em 21 de dezembro, trabalharão entre os dias 22 e 28.
Além disso, a Procuradoria-Geral do Estado do Paraná vai enviar ofícios aos órgãos judiciais e conselhos tutelares pedindo que participem de ações com providências e fiscalização direta em relação aos menores de idade que permanecem nas escolas. A justificativa do procurador-geral, Paulo Sérgio Rosso, é garantir que "os menores que estão nessas escolas [não] sejam submetidos a situação de risco".
A FOLHA tentou conversar com estudantes de dois colégios no Centro de Londrina, no domingo, mas os ocupantes decidiram não dar entrevistas. A reportagem apurou, entretanto, que o movimento pretende seguir para a Câmara Municipal de Londrina (CML) tarde desta segunda para cobrar um posicionamento dos parlamentares.
A última atualização das escolas ocupadas é da noite de sábado. Apesar de contar 470, segue na lista, por exemplo, os colégio estaduais Albino Feijó Sanches e Professora Vani Ruiz Viessi, cujas reintegrações foram concedidas e cumpridas na noite de sexta-feira. (L.F.W.)