Carne moída, assado ao ponto, picadinho com legumes, estrogonofe ou um bife mal passado. De receitas variadas, o leitor do NOSSODIA se considera chef, mas diante das informações divulgadas nos últimos dias após a Operação "Carne Fraca", da Polícia Federal, sobre carnes e embutidos impróprios para consumo, se diz "perdidinho da Silva". Diante da repercussão das investigações da PF, que apontaram falhas de inspeção ao possível sensacionalismo, NOSSODIA foi a supermercados, açougues e até à cozinha da dona de casa para apurar como está o faro e o comportamento do consumidor frente ao noticiário.
Com sete anos de experiência, o açougueiro Rodrigo Andrade, 21 anos, entrega: "Foi o assunto do fim de semana. As pessoas mudaram o jeito de comprar e perguntam da procedência logo de cara. O povo tá ressabiado e notícia igual essa nunca vi." Ao mesmo tempo, diz que os clientes do minimercado onde trabalha, no Jardim Planalto, zona norte, podem ficar tranquilos. "Não trabalhamos com caixaria. A carne vem de Rolândia, chega fresca, é desossada em um caminho muito curto, seguro e com higiene", assegura. Do outro lado do balção, a consumidora Meire Ellen Magnente, 22 anos, moradora do Jardim Porto Seguro, afirma ter plena confiança no estabelecimento comercial onde faz as compras do dia a dia. "Ouvi muitos comentários e até piadas sobre o assunto, mas não vou deixar de comer carne". A balconista Alana Carolina, 20 anos, considera que toda carne ficou suspeita. "É muita informação e aposto na experiência da minha mãe. Ela é exigente. Só compra carne moída na hora, costuma observar bem e estou aprendendo com ela, afinal de contas, alimentação é coisa séria", reflete. A diarista Aparecida Evaristo, 60 anos, também observa bem: "A carne tem que estar bem vermelhinha e tem que ampliar essa fiscalização". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Serviço:
Denúncias podem ser feitas pela Ouvidoria do Município ou na Vigilância Sanitária pessoalmente e o consumidor acompanha o processo via protocolo. O anonimato é garantido. Vigilância Sanitária: R. Atílio Otávio Bizato, 480 - Carlota, (43) 3372-9400. Ouvidoria Municipal: 3375 0001 ou 0800 400-1234.
Vigilância Sanitária de olho
O coordenador de Alimentação da Vigilância Sanitária de Londrina, Pedro Afonso Figueiredo, esclarece que é atribuição do órgão fiscalizar de forma contínua e diária açougues, supermercados, lanchonetes, ambulantes, feirantes e indústrias. "Atuamos das 7 às 18 horas para certificar que os produtos expostos à venda ou usados como matéria-prima venham de uma certificação e procedência seguras. Armazenamento, conservação e condições de saneamento devem estar em dia e o consumidor deve estar atento se o local apresenta todas as documentações em dia. A Vigilância varia de um a cinco anos a validade, dependendo do risco de alimento. Problemas de conservação, corpo estranho devem ser denunciados e apuramos. Toda irregularidade deve ser reportada e o consumidor tem um papel fundamental nesse processo, é nosso maior vigilante." Segundo Figueiredo, aproximadamente 8 mil estabelecimentos são de responsabilidade do setor. (W.V.)
Casas de carne de bairro ganham novos clientes
Na fila de uma casa de carnes na Vila Yara, zona leste de Londrina, mais gente para garantir o assado do fim de semana. De acordo com o gerente da unidade, Renato Silverio Bertoluci, os 32 anos de tradição atraíram novos clientes. "Não trabalhamos com carne fechada a vácuo e a procura por carne fresca deve ser o motivo. Na opinião de Bertoluci, pequenos produtores podem sofrer e serem contaminados com a onda de informações. "Foi muito alarde, fizeram muito pampeiro e talvez de uma maneira irresponsável". O gerente acredita em uma mudança de comportamento por parte do consumidor a partir desse momento: "Grandes mercados oferecem preço, mas nossa qualidade é incomparável", reforça. No jardim Agari, a tendência se confirma: Segundo o proprietário da casa de carnes, Jocimar do Espírito Santo, o efeito bombástico da notícia trouxe uma freguesia nova. "Nesse ano vamos comemorar três décadas. Temos intimidade com nossos clientes, conhecemos quem vem, o que compra de costume e foi nítida a presença de pessoas diferentes. Certamente já sabiam que nossa carne chega dia sim, dia não, é fresca e saudável." Com 23 profissionais empregados, Jocimar aposta na qualidade do produto e comemora a confiança da freguesia – nova e antiga. "Ouvimos piada o fim de semana porque isso é natural do brasileiro. Agora é continuar trabalhando certinho" (WV)