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Domingão agitado no Vista Bela

04 ago 2014 às 08:23
A diarista Luzia Pereira Lacerda, de 53 anos, cuidava do batente doméstico quando escutou um som diferente vindo da rua. Não era barulho de brincadeira de criança e nem batida de funk que faz ferver os churrascos, como de costume. "Era música de verdade. Vim correndo ver o que é e tive uma grande surpresa. Eles são alegres, brincam com a gente, fazem movimentos belíssimos", elogiou a moradora do Residencial Vista Bela, na Zona Norte de Londrina.
A festa era de vários artistas de rua, que levaram alegria para o bairro na tarde de domingo. E não era só ela que estava encantada com a balada fora de hora. Conforme o Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL) ganhava os quarteirões, mais gente se juntava na curtição.
A ocupação artístico cultural é promovida desde 2011, por 10 coletivos de diversas áreas, como teatro, música e dança. Com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), esses artistas têm garantido o acesso da população à cultura. E, mais do que isso, estão levando diversão aos bairros mais afastados. "As políticas públicas de nível cultural chegam muito pouco para essa população. Acho que além de ocupar e significar os espaços do bairro, também conseguimos romper com o cotidiano das crianças e adultos", comentou Ricardo Bagge, do Teatro Kaos.
Para chamar a atenção dos moradores, os artistas fizeram um cortejo pelo bairro. "É uma parte importante, que lembra muito a chegada dos circos nas comunidades", comparou Bagge. Em seguida, na rua Celeste Couto Moura, foram apresentadas peças pelos grupos Às de Paus, Teatro Kaos, Edna Aguiar e A Hora Mágica. Outros artistas convidados, como integrantes do hip hop também animaram a festa. (Micaela Orikasa/Folha de Londrina)

Batalha de rimas
"Nos bairros de periferia há muita carência e falta de investimentos em todas as áreas. Quando acontece algo diferente assim, todo mundo gosta", disse Leandro Claudino, conhecido como Palmeirah. Ele é integrante do Família I.M.L e morador do residencial. O grupo se apresentou e fez uma batalha de rima.
A dona de casa Patrícia da Silva Brandilhone também foi atraída pela música e levou os filhos Henrique, de 6 anos e Arthur, 1, para conferir a surpresa. "Moro há quatro anos aqui e nunca vi nada igual. Isso é ótimo porque chega o final de semana, não tem nada interessante nesse sentido e que não seja pago. A gente mora longe e muitas vezes não tem muita opção", disse. (M.O.)

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