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DO GALHO PRA GAIOLA - Macacada atentada

23 jul 2015 às 09:09


Se já não bastasse a ação dos larápios de plantão, que não perdoam ninguém, agora os macacos também estariam apavorando a população no Jardim Ana Rosa, em Cambé. Nos últimos quatro meses, a comunidade afirma que sofreu vários ataques dos primatas "mão leve", que se aproveitam da própria habilidade para furtar alimentos, tirar as roupas do varal e assustar os moradores e os animais. Na última semana, um dos bichos teria devorado um passarinho de estimação de um morador.
Talvez, os macacos estejam enjoados do mesmo cardápio todos os dias, baseado em frutos e folhas, e decidiram colocar as aves também no "banquete". Em uma casa localizada na Rua Maria Jacomel Paccola, a gaiola que acomodava o passarinho estava vazia. "Eu moro na casa da frente e vi tudo. O macaco entrou neste quintal, derrubou a gaiola, puxou o passarinho e comeu ele depois. O passarinho era do meu cunhado", relata Micaeli Bueno, mostrando a gaiola onde a ave vivia.
Para evitar que os animais entrem em sua casa, Rita de Cássia deixa as portas e as janelas da moradia sempre fechadas, tanto no calor quanto no frio. "Agora, não deixamos mais nem janelas, nem portas abertas. Já atacaram as galinhas, usaram o balanço preso na árvore, tiraram as roupas do varal. Ficam por aí, passeando de telhado em telhado", acrescenta Rita.
Os macacos estariam vindo da Reserva Peroba Rosa, também localizada no bairro. Vizinho do espaço, o morador Osmar Conceição acredita que os macacos não encontram alimentos na mata. "Além da falta de frutas, antigamente uma mulher dava comida a eles por esta caixa, amarrada na lateral da reserva. Mas ela nunca mais apareceu e os macacos estão sentindo falta", acredita Conceição.

Paulo Monteiro

Micaeli Bueno mostra a gaiola onde o finado passarinho vivia


Encarou o bicho e saiu correndo
De acordo com o mecânico industrial Vicente Carlos do Nascimento, que mora na Rua Antônio Mantovani, também no Jardim Ana Rosa, os ataques no bairro começaram há quatro meses. "O pessoal tem reclamado bastante disso. Tem gente que perdeu passarinhos, como trinca-ferro e sabiá. Moro aqui desde 1979 e isso nunca tinha acontecido no bairro. Os ataques começaram há uns quatro meses", detalha Nascimento, que também já teve a casa invadida por eles e até filmou a ação do macaquinho. "Eles entraram na nossa cozinha e reviram tudo. Na última vez, derrubaram comida, produtos de beleza e comeram meu amendoim", conta o mecânico.
Ele acredita que os macacos vivem na Reserva Peroba Rosa, localizada a aproximadamente 600 metros de distância, e estariam buscando alimentos na vizinhança. "O problema é que eles são agressivos. Tenho uma criança dentro de casa e fico preocupado. Minha mulher foi tentar afastá-los, esses dias, com uma vassoura, e eles avançaram nela", relembra Nascimento. (P.M.)

Animais trazidos pela população
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Cambé, com informações da Secretaria Municipal de Agricultura e Ambiente, os animais que ocupam a reserva foram trazidos pelos moradores. A Secretaria tem a responsabilidade de cuidar da mata existente no local. Porém, os macacos estão habituados a serem alimentados pela comunidade e, talvez por não estarem mais recendo comida, passaram a buscá-la dentro das casas.
O município informou que os animais são acompanhados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e ressaltou que a Vigilância Sanitária alerta sobre os riscos de transmissão de doenças, caso o contato com animais ocorra. Além disso, ressalta que qualquer agressão aos macacos pode resultar em autuações referentes ao crime ambiental. (P.M.)


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