Só em 2016, estima-se que aproximadamente 60 toneladas de alimentos deixaram de ser desperdiçados em Londrina para beneficiar mais de 16 mil pessoas por meio do Programa Mesa Brasil do Sesc. É o que explica a nutricionista do projeto na cidade, Lara Libanori Barbosa. "Já distribuímos até o final de junho 140 toneladas de produtos e isso inclui a parceria de grandes indústrias", disse. Implementado no Sesc-PR em 2003 com o objetivo básico de combate à fome e ao desperdício de alimentos, o trabalho partiu de uma experiência pioneira de colheita urbana implantada pelo Sesc-SP na década de 1990. Em Londrina, de acordo com Barbosa, o modelo está presente desde dezembro de 2006. O sistema, que funciona por meio de parceria, é considerado um modelo que deu certo e se repete em várias cidades do Brasil. "Além de ajudar no combate à fome e ao desperdício de alimentos, proporciona ações educativas como desenvolvimento da agricultura familiar e ações relacionadas a diversos temas para capacitações e desenvolvimento das instituições beneficiadas com as doações do Mesa Brasil Londrina", reforça.
Mata a fome na prática
Por meio do trabalho denominado Colheita Urbana, funcionários do Sesc coletam os alimentos próprios para consumo porém sem valor comercial – é uma maçã com machucadinho, uma folha mais murcha, uma banana fora da penca, tomates muito maduros ou com um leve machucadinho - nas empresas parceiras e distribuem para as instituições cadastradas no Mesa Brasil. Em 2016, por exemplo, a Mondelez doou só para Londrina 13 toneladas de chocolate para a Páscoa. Ao todo, foram 90 toneladas de doação. "Essas instituições não devem ter fins lucrativos ou vínculos com o governo e devem atender pessoas em situação de vulnerabilidade social", explicou a nutricionista. Ao todo, mais de de 90 instituições em Londrina e região, com diversos tipos de serviços, são contempladas, como por exemplo o Centro de Educação Infantil Iracema Campregher, Centro de Educação Infantil Irmãs de Betânia, Centro de Educação Infantil Nova Vida, Centro Esperança Por Amor Social (Cepas), Escola Oficina Pestalozzi, Hospital do Câncer de Londrina, Hospital Cristo Rei de Ibiporã, Centro de Recuperação de Dependentes Químicos e Alcoólatras (Credequia), Lar das Vovós e dos Vovôs e Santa Casa de Londrina. (W.V.)
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Reconhecimento
O programa, segundo a nutricionista, tem a gratidão das instituições que recebem alimentos e também das empresas parceiras, que podem proporcionar ações de responsabilidade social e sustentabilidade. "Gostaríamos de auxiliar mais instituições, mas sabemos que não depende somente de nós. Estamos sempre em busca de mais doadores, constantemente procuramos sensibilizar a todos sobre o desperdício", enfatiza a nutricionista. (W.V.)
Segundo Barbosa, por intermédio do Mesa Brasil Sesc, as empresas exercitam a responsabilidade social e sensibilizam seus colaboradores para engajamento no combate ao desperdício de alimentos e redução da fome no país. "Na prática, não é tão simples, ainda existe o medo de doar alimentos e a captação de novos doadores é constante. Há mais instituições desejando receber as doações que empresas doadoras", esclarece. O Mesa Brasil é um projeto nacional e não há conhecimento por parte do Sesc de outras referências que, além de doações, forneça capacitações para as instituições atendidas. "Mas no Brasil todo, existem Bancos de Alimentos, ONGs que também combatem o desperdício de alimentos". (W.V.)

Quem recebe, é pura gratidão
No Centro de Educação Infantil Iracema Campregher, localizado no Jardim Santa Fé, Zona Leste, a doação é feita desde 2004 e beneficia 143 crianças, de seis meses a cinco anos de idade. De acordo com a auxiliar administrativa Valéria de Lima Martins, esse apoio é essencial. "Recebemos legumes, verduras, bebida láctea, fraldas e outros perecíveis, sendo que quando há quantidade sobrando, as famílias são contempladas", explica. "O perfil dos moradores que precisam da CEI nessa comunidade é de mães que trabalham na reciclagem, são bem baixa renda e esse força que o Mesa Brasil nos dá é enorme." A coordenadora esclarece ainda que o repasse da Prefeitura é para pagamento de funcionários e como se trata de uma creche filantrópica, não seria possível suprir todas as necessidades. (W.V.)