Apesar do histórico de acidentes, arriscar a vida pegando carona na traseira de caminhões e ônibus é comum nas ruas de Londrina. A prática conhecida como ‘rabeira’ deixa motoristas e pedestres apreensivos, pois uma tragédia pode ser registrada a qualquer momento. Na última semana, um flagrante foi feito por um leitor do NOSSODIA na Avenida Saul Elkind, esquina com Rua Joaquina de Oliveira Perfeito., na Zona Norte. Dois garotos se aventuravam na traseira de caminhões em plena luz do dia e em frente à base da Guarda Municipal (GM), desafiando agentes e a própria sorte.
Sobre o fato, a reportagem ouviu Raimundo Hiroshi Kitanishi, representante interino da Secretaria de Defesa Social de Londrina. "Se não me engano, este tipo de fiscalização pode ser feito pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina). A Guarda Municipal pode ser acionada caso esses jovens sejam flagrados praticando algum ato de vandalismo. Não há uma norma especifica tratando desse assunto", diz ele. "O Conselho Tutelar pode acionar os pais desses garotos. O que a Guarda Municipal pode fazer é, caso seja necessário, dar apoio ao Conselho", comenta Kitanishi.
A conselheira tutelar Fabiane Medeiros explica que o órgão só é acionado em ocorrências de atos infracionais. "Caso a autoridade não consiga localizar os pais (responsáveis) do menor infrator, ela entra em contato com o Conselho Tutelar, que fica encarregado de ir atrás dos responsáveis. Geralmente, os menores são levados para a Delegacia do Adolescente. Mesmo assim, confesso que nunca atendi um caso de menor de idade apreendido após pegar rabeira", adianta Fabiane.
O NOSSODIA também ouviu a CMTU. A assessoria da Companhia divulga que não realiza esta fiscalização e que "o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) até admite penalizações a pedestres, mas não especifica qualquer tipo de punição a ciclistas que pegam rabeiras". A reportagem ainda tentou ouvir o setor de assessoria de comunicação do 5° Batalhão da PM, mas não teve os telefonemas atendidos durante a tarde de quarta-feira.
De acordo com a tenente Luana da Silva Pereira, do 3° Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina, o número de ocorrências envolvendo estes ciclistas vem caindo nos últimos anos. Mesmo assim, fez um alerta. "A pessoa que pega rabeira fica exposta a vários riscos: pode colidir com o próprio veículo em que está segurando, já que o condutor não enxerga o ciclista, pode cair e bater a cabeça ou até ser atropelado por outro veículo", explicou a tenente. "Ela pode sofrer lesões leves e até traumas graves. Este tipo de ciclista está em busca de adrenalina e não calcula os riscos em que está exposto. Geralmente, ele não usa sequer uma proteção e pode, por exemplo, bater a cabeça violentamente. A recomendação é uma só, que o ciclista nunca pegue rabeira", enfatizou Luana. "Infelizmente, não há uma lei que proíba este tipo de comportamento. A rabeira não é considerada uma infração de trânsito. O fim desta prática depende da conscientização do ciclista", avaliou a oficial. (P.M.)