Acidente Vascular Cerebral atinge 17 milhões de pessoas em todo mundo a cada ano¹. Organização Mundial do AVC (WSO) estima que 70% dos pacientes terão alguma sequela funcional importante.
Os alertas emitidos por diversas entidades médicas internacionais para a conscientização da prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC ou derrame cerebral) justificam os fins quando pensado em prol da população. Independentemente da efeméride - 29 de outubro Dia Mundial do AVC -, o Acidente Vascular Cerebral precisa ser tratado com seriedade: o número de morte decorrentes do AVC superam o de câncer e infarto e, segundo a Organização Mundial da Saúde, 70% dos pacientes acometidos pela doença permanecerão com alguma sequela funcional significativa.
Segundo o neurologista Alexandre Longo, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Associação Brasil AVC (ABAVC), mais 17 milhões¹ de pessoas são atingidas anualmente pela doença e, no Brasil, 25% delas terão incapacidade grave.
"O tratamento deve acontecer, já na fase aguda, nas Unidades de AVC, onde o paciente permanece internado após a alta hospitalar, o que contribui para a recuperação das sequelas, com redução de 20% de óbitos e de incapacidade, quando comparados aos pacientes que não recebem o mesmo atendimento", diz o neurologista Alexandre Longo.
Em termos globais, o AVC representa a segunda causa de morte no mundo em pessoas acima dos 60 anos de idade e a quinta causa entre indivíduos de 15 a 59 anos. Pode também atingir crianças e recém-nascidos. No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares.
Quanto mais rápido for o socorro, menores as chances de sequelas
As recomendações internacionais indicam que o reconhecimento dos sinais do AVC deve ser imediato e assertivo, dada a gravidade das sequelas, que dependerá do tempo de atendimento. Na categoria de doenças do sistema nervoso, o AVC como doença cerebrovascular é emergência médica: as sequelas são resultantes do tipo de procedimento realizado na internação hospitalar e da área do cérebro atingida.
Existem dois tipos de AVCs: o hemorrágico, em que ocorre o rompimento de artérias e sangramento no cérebro, e o isquêmico, com o entupimento das artérias, sendo responsável por 80% dos casos.
A importância da reabilitação pós-AVC
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o AVC é a primeira causa de incapacidade funcional no mundo, interferindo nas atividades de locomoção e fala, algumas vezes incapacitando o indivíduo em funções como se vestir e comer sozinho.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que morreram no país, aproximadamente, 100 mil pessoas em 2014. No mesmo período, mais de 180 mil pacientes foram internados para o tratamento do AVC no Sistema Único de Saúde (SUS). A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), inquérito epidemiológico de base domiciliar, avaliou o número absoluto estimado de pacientes com AVC e incapacidade por AVC: mais de 2 milhões de pessoas com AVC e 568.000 com incapacidade grave. A prevalência de AVC foi pontual, de 1,6% em homens e 1,4% em mulheres, e incapacidade de 29,5% em homens e de 21,5% em mulheres.
A vida pós-AVC continua e sua qualidade depende diretamente da reabilitação que permitirá ao indivíduo retomar gradativamente suas atividades cotidianas na medida da extensão das suas sequelas.