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DESVIO - Motoristas usam estrada rural para fugir de pedágio

25 fev 2018 às 22:46

Para economizar R$ 22 do pedágio cobrado pela Econorte na praça de Jataizinho, cada vez mais os motoristas estão desviando da praça local por meio de uma estrada rural. São seis quilômetros de chão batido, com muitas pedras, aclives, declives e uma pinguela de madeira. Depois da deflagração da Operação Integração, 48ª fase da Lava Jato, o tráfego aumentou por lá.
"De uns três dias para cá, dobrou o movimento", diz Isabel Morais, que mora na estrada rural, a 50 metros da BR-369. A operação foi deflagrada na quinta-feira (22). "Já estava ruim para a gente. Agora, ficou pior. É muita poeira. Esses dias mataram um cachorro aí", reclama o marido de Isabel, Reginaldo Morais.
A FOLHA percorreu o trecho na tarde deste domingo (25) e conversou com alguns motoristas que usavam o desvio. "Eu não tenho condições de pagar R$ 44 (ida e volta). Sempre que venho a Londrina passo por aqui", diz o pedreiro Claudemir Ortega, morador de Uraí (58 km).
Outro que se arrisca na estrada de terra é o cadeirante Demerson Pacheco, aposentado com renda de um salário minimo e que vem de Congoinhas a Londrina (100 km) toda semana fazer fisioterapia no Hospital Universitário. "O valor do pedágio ida e volta para mim é quase o valor do combustível", diz ele, que utiliza o desvio há dois anos. "São seis quilômetros muito ruins, mas compensa", avalia.
Pacheco diz ter direito a desconto de 40% no valor da tarifa por ser pessoa com deficiência, mas reclama que já tentou obter o desconto na Econorte, mas não conseguiu. "É muita burocracia", reclama o jovem de 33 anos. (Nelson Bortolin/Grupo Folha)


Moradores contam que o movimento dobrou nas últimas semanas

DENÚNCIA
Nas investigações da Operação Integração, a Polícia Federal diz ter detectado o uso das estruturas de lavagem de dinheiro para operacionalizar recursos ilícitos pagos a agentes públicos, principalmente através de operadores financeiros investigados na Operação Lava Jato. A PF diz que a Econorte se utilizou dos serviços desses operadores para "operacionalizar, ocultar e dissimular valores oriundos de atos de corrupção". Dentre os serviços prestados estaria a "viabilização do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, do DER/PR – Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná e da Casa Civil do Governo do Estado do Paraná".
Entre os seis presos na operação, estão o diretor-geral do DER-PR, Nelson Leal Júnior, e o diretor-presidente da Econorte, Helio Ogama.
A Triunfo Participações e Investimentos, a qual a Econorte é subsidiária, nega as acusações e afirma que "sempre pautou suas atividades pelo estrito cumprimento da legislação", além de ressaltar seu "compromisso com as melhores práticas de governança corporativa". O DER também nega as acusações e alega que a operação é um "equívoco"
A reportagem procurou novamente a Econorte, por meio da assessoria, neste domingo, para comentar o desvio da praça da Jataizinho, bem como a alegação de Demerson Pacheco, de que tem direito a desconto na tarifa por ser cadeirante, mas que, até agora, não conseguiu obtê-lo. A empresa não deu retorno. (N.B)


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