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DESTINO: CISMEPAR - A saúde longe de casa

01 dez 2016 às 09:23


Criado há 21 anos, o Cismepar - Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema é motivo para muitas pessoas de outras cidades estar em Londrina. Diariamente, são realizados 1.100 atendimentos por lá. A reportagem do NOSSODIA acompanhou a jornada de pacientes, acompanhantes e motoristas que diariamente, por motivos diversos, buscam atendimento na unidade.
Na travessa Goiânia, esquina com a Leste-Oeste, é possível conhecer um pouco da rotina médica, dos percalços e perspectivas dos usuários que viajam para cuidar do maior bem, a saúde.
A quinta-feira de calor escaldante foi dia de a dona de casa Maria Carolina Alves de Moraes, 32 anos, colocar o pé na estrada - para tratar da saúde do único filho. Moradora de Centenário do Sul (a 90km de Londrina), foi encaminhada pelo posto de saúde de seu município para avaliar o problema de dor de ouvido de João Vitor Alves de Souza, seis anos. No Cismepar, após o almoço ele já havia sido atendido, medicado e com agendamento para exame.
"É a primeira vez que viemos e foi muito bom, semana que vem a gente volta para o exame". João Vitor sorri para a mãe e acrescenta: "O médico foi muito legal. Chama-se Daniel, muito bonzinho", conta. E daqui para frente o pequeno promete se divertir com os desenhos animados de que tanto gosta. "Tava amuadinho e só queria ficar deitado", diz a mãe.
A dona de casa Leontina Alves, 59 anos, já conhece o caminho que a traz também de Centenário do Sul para Londrina. "Meu marido é lavrador aposentado e tá que é uma benção. Fez cirurgia do coração e faz acompanhamento aqui. Venho no carro da Prefeitura e não teria como pagar pelo cuidado médico", explica. Os relatos pessoais se sucedem. Cristiane Rodrigues vem de Prado Ferreira (a 57km de Londrina) para tratar as filhas gêmeas, Isabele e Gabriele, de um ano e 10 meses. "Nasceram prematuras. Passam pela fisioterapeuta, assistente social e psicóloga." Natalina Sueiro, 56 anos, tem asma e há 10 viaja a Londrina para se tratar. "Uso medicação direto. Hoje fiz exames respiratórios e me cuido. Não tomo friagem, nem gelado e tô bem melhor do que antes de começar o meu tratamento", afirma.
De Guaraci (a 77km de Londrina), Maria da Silva, 63 anos, acompanha a amiga. Mariquinha dos Santos, 60 anos, levou um tombo e o médico do posto a encaminhou ao Cismepar. "Já fiz raio-x e espero o resultado." Para a moradora do jardim Shangri-lá Yolanda Nunes, 59 anos, um centro médico que a acolha é um privilégio. "Fiz cirurgia na coluna e uma vez por ano passo por tomografia. Tenho limitações, mas meu quadro é estável." Para melhorar o ambiente, dá sugestões: "Os corredores precisam ser mais largos e também é importante melhorar a ventilação e as acomodações, principalmente pensando em quem vem de fora e passa o dia inteiro aqui", sugere.

O que está bom, pode melhorar
À frente da presidência do Cismepar há dois anos, Silvio Damaceno, que também é prefeito de Prado Ferreira, dá detalhes para os leitores do NOSSODIA de como é o funcionamento do Cismepar e do que vem pela frente. A começar pela queixa da londrinense Yolanda Nunes, já responde: "Teremos a Casa do Aconchego, onde os pacientes poderão tomar café, ir ao banheiro e aguardar a hora de ir embora. De meia em meia hora haverá ônibus nas portas dos hospitais para que as pessoas sejam mais bem acomodadas. Hoje ficam na rua, no sol ou na chuva", promete. De acordo com Damaceno, a doação do terreno está em andamento. "O projeto está em finalização na Secretaria Estadual de Saúde, que já garantiu a verba, e a obra será executada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano", explica. Sobre benfeitorias na unidade, acrescenta: "Estamos instalando ar-condicionado em todos os consultórios médicos da sede atual".
Atualmente, a unidade do Cismepar realiza 1.200 atendimentos ao mês e a reforma em andamento irá abrigar o CEP (Centro de Especialidades do Paraná), com capacidade para mais 1.000 atendimentos mensais. Dos atuais 3.500 m2, a unidade contará com mais 2.800 m2, e oferecerá as seguintes especialidades: cardiologia, vascular, neurologia, endocrinologia, coloproctologista, mastologia, ginecologia, radiologia, fisioterapia, assistente social, nutrição, enfermagem. A previsão é que a obra seja concluída em junho de 2017. Acerca das deficiências do Consórcio, Damaceno esclarece: "O Cismepar busca atender às prioridades em saúde dos municípios consorciados e atualmente há insuficiência de recursos financeiros para o atendimento de média complexidade em todo o País".

Cidade ganhará centro de reabilitação
Com previsão de ser concluído no final de 2018, o Centro Especializado em Reabilitação será o segundo do Estado e vai prestar atendimento multidisciplinar para pacientes com deficiência auditiva, motora e intelectual. Segundo Damaceno, contará com médico fisiatra, ortopedista, neurologista, otorrino, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, estimulador precoce e psicólogo. A unidade compreenderá 2.600 m2 e, de acordo com Damaceno, será de grande importância. "Será no jardim Tóquio (zona oeste) e permitirá que crianças com deficiência consigam se desenvolver, assim como vítimas de acidentes e que tenham ficado com sequelas e precisem de atendimento específico", adianta. (WV)


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