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DESCASO NA ZONA LESTE - Povo pega o busão no mato e no barro

09 nov 2015 às 09:35


Seja para ir ao trabalho, seja para ir ao colégio, a espera pelo transporte coletivo é sempre um aborrecimento para os moradores da Comunidade Três Figueiras, Zona Leste de Londrina. Os pontos de ônibus na região não recebem manutenção há um bom tempo. Alguns não possuem calçamento e os usuários aguardam pisando na terra. Noutro, o mato cresceu tanto que esconde as pessoas (linha 121).
Um deles fica ao lado da casa do vigilante Sisenando Vitalino dos Santos. Ele identifica a via rural como continuação da Avenida das Maritacas. O morador conta que o local só não está tomado pela vegetação porque ele não deixa. "Quando o mato começa a crescer, eu mesmo vou e retiro com a enxada. Mesmo assim, é complicado. Quando chove, por exemplo, a terra vira barro", conta. "Dá muita dó das crianças. Elas pegam aqui o ônibus para a escola, localizada no Jardim Eucaliptos (Zona Leste). Algumas delas acabam se sujando bastante por causa do barro", lamenta Santos.
Para evitar contratempos, apesar da maior distância, ele usa a pista asfaltada que liga a Avenida Saul Elkind com a cidade de Ibiporã para chegar aos estabelecimentos da região. "É melhor andar vários quilômetros do que passar alguns metros pelas ruas de terra da Três Figueiras. A gente gasta mais tempo, mas não corre o risco de ficar atolado", acrescenta o vigilante.
Alguns usuários, antes de chegar ao ponto de ônibus, ainda são obrigados a caminhar sobre o barro. Não existe calçada e os moradores são obrigados a dividir o espaço com os veículos, que levantam poeira ou jogam água suja das poças sobre as pessoas.


O mato esconde o ponto de ônibus


Pontos serão substituídos, diz CMTU
O NOSSODIA entrou em contato com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), responsável pela manutenção das estruturas. A assessoria informou que 200 unidades já foram trocadas no município e que tinha "ciência" sobre o ponto de ônibus sem calçamento. Segundo a CMTU, a troca da estrutura já estaria na relação da companhia. O novo ponto, detalhou, possui estrutura mais robusta, inclusive com bancos, e exige um calçamento. Já sobre o matagal que cobre o ponto da Rua José Gonçalves, a assessoria informou que um fiscal iria até o local última na sexta-feira, 6, e avaliaria a situação, pois a companhia não podia afirmar se a área era pública ou de propriedade privada.
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Vitor dos Santos Junior, admitiu que a reforma das ruas da Comunidade Três Figueiras ainda não está no cronograma da pasta, mas recomendou aos moradores que encaminhem um pedido por escrito e entregue na secretaria, na Rua da Natureza, 155, Parque Arthur Thomas, na Zona Sul. "Por causa das fortes chuvas, estamos atendendo de maneira emergencial as estradas rurais que foram prejudicadas e não será possível atender rapidamente esta região. Mesmo assim, é importante que o pedido seja registrado para avaliarmos e discutirmos esta situação numa de nossas reuniões", disse Santos Junior. (P.M.)



Quando chove, a terra vira barro e as crianças que pegam ali o ônibus para ir à escola são as maiores vítimas

‘Só lembram de nós na hora do voto’
Outra situação que chama a atenção fica na Rua José Gonçalves. Nela, os usuários são obrigados a aguardar o ônibus no meio do mato. Literalmente. Por causa da situação precária, os moradores improvisaram alguns pedaços de madeira para que o passageiro possa acessar o ponto de ônibus sem se machucar na vegetação selvagem. O aposentado Wilson de Souza mora na mesma via e está revoltado com a realidade. "É uma vergonha. Como deixam esse mato chegar num tamanho desse?", questiona. "Só lembram de nós na hora do voto. Tiram o nosso dinheiro, cobrando vários impostos, e quando pedimos ajuda não somos atendidos. Aqui, de segunda a sexta-feira, o ônibus passa uma vez a cada hora. A pessoa passa todo esse tempo esperando o transporte no meio do matagal", relata Souza. (P.M.)


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